Minha terra tem cor,
tem energia,
vibra com o sol que nela bate.
Minha terra tem encanto,
Tem mistura,
Tem cheiro,
Tem seca - Sertão.
Tem dois rios - Ribeirão.
Nela tem, também, a MENINA flor
Luz para meus olhos,
Espinhos para meu coração.
(Osmhar Sobrinho)
"A maneira como penso a vida, muitas vezes, confundem pessoas. Trago ideias que não podem ficar presas, que precisam de liberdade..." Osmhar Sobrinho
26 de dezembro de 2009
26 de outubro de 2009
Projeto cinema no rio
Em sua quinta edição, o Projeto Cinema no rio traz entretenimento às populações ribeirinhas. Com oficinas lúdicas e mostra de curtas e longas nacional, o Projeto Cinema no rio chegou à Carinhanha neste sábado.
Prestigiados por um bom público no cais de Carinhanha, praça Lafaiete Moreira de Castro, filmes de animação e um loga foram as atrações apresentadas, apesar de alguns problemas técnicos com os geradores e com a tela.
A criançada fez loga fila para a pipoca com muita algazarra.
Antes de iniciar o filme principal da noite, foram apresentadas entrevistas com populares locais que rememorizaram cenas da antiga cidade. Um dos entrevistados foi o casal Dr. Herbet e sua esposa, que falaram sobre sua longa convivência e trabalhos prestados na cidade e uma linda história de amor entre eles.
Para conferir mais sobre o projeto, acesse www.cinemanorio.com.br
Prestigiados por um bom público no cais de Carinhanha, praça Lafaiete Moreira de Castro, filmes de animação e um loga foram as atrações apresentadas, apesar de alguns problemas técnicos com os geradores e com a tela.
A criançada fez loga fila para a pipoca com muita algazarra.
Antes de iniciar o filme principal da noite, foram apresentadas entrevistas com populares locais que rememorizaram cenas da antiga cidade. Um dos entrevistados foi o casal Dr. Herbet e sua esposa, que falaram sobre sua longa convivência e trabalhos prestados na cidade e uma linda história de amor entre eles.
Para conferir mais sobre o projeto, acesse www.cinemanorio.com.br
24 de outubro de 2009
Passagem de Teodoro Sampaio em 1879 por Carinhanha
Da Carinhanha a Monte Alto
"De regresso da cachoeira de Pirapora até onde nos levara o exame da navegação do rio S. Francisco, chegamos à Carinhanha a 22 de dezembro de 1879, onde devia eu apartar-me da comissão, cumprindo ordem do meu ilustre chefe,Milnor Roberts, para dali fazer a travessia dos sertões baianos, estendendo o quanto possível o meu trajeto pela Chapada Diamantina, cujos caracteres geográficos muito desejávamos conhecer.
Feitas as despedidas, saltei para terra no meio do muito povo reunido no alto da barca e vi bem depressa desaparecer na primeira curva do rio o penacho de fumo do vapor Presidente Dantas, assinalado por entre as árvores marginais a carreira que levava o velho barco navegando águas abaixo.
Fiquei só no meio daquela gente anarquizada e não pensei no perigo que daí pudesse advir. E, contudo, o perigo era bem de recear, como depois verifiquei.
A Carinhanha estava de fato em poder dos assaltantes da Januária, que para aí se recolheram, depois de sua vitória tão fácil quão escandalosa. Reinava na vila um terror pânico. Quem tinha o que perder, entrincheirava-se em casa depois de retirar a família às ocultas para algum sítio distante.
As autoridades sumiram-se, e os criminosos e assassinos dominavam.
O Capitão Francisco de Magalhães, com sua gente armada e com os despojos de sua recente campanha, estava aqui acampado enquanto o seu aliado, Manoel Tavares de Sá, por alcunha o Neco, preferira ficar com suas forças na outra margem, na povoação da Malhada, que avistávamos rio acima.
Coisa curiosa. Toda essa gente, formada em alas numa e noutra margem, recebeu-nos com foguetes e aclamação ao chegarmos. Indagando do motivo, informaram nos que tinham apreciado muito a nossa correção no teatro da luta, cumprindo com a palavra dada de não intervir por nenhuma das parcialidades.
Apesar disso, não me achei seguro no meio daquela gente desenfreada. Não me sentia intimidado, mas envergonhado; e, pois, procurei apressar a minha partida, dando os passos para a compra dos animais e para contratar um camarada, o que, no entanto, não era fácil no meio que reinava.
Ajudava-me diligentemente o meu hóspede, o sr. Antônio Joaquim Alves, e o bom vigário, padre João Raulino Bacellar, fazia o possível para me ver de viagem, fugindo àquela vergonha que ele, por sua vez, não queria suportar por mais tempo. Desejava retirar-se no dia seguinte, indo celebrar missa no povoado do Espírito Santo, cerca de cinco léguas rio abaixo.
À noite, a desordem atingiu o seu auge. Gritos, tiros, correrias traziam a vila em sobressalto. Defronte a casa onde me hospedei veio alta noite descarregar o seu bacamarte um valentão, dizendo aos outros em ar de mofa que aquilo era para experimentar o engenheiro que ele sabia estar ali dormindo àquela hora.
No dia 25, lá pelas quatro horas da tarde, atravessei o rio para a outra margem; embarcando-me numa canoa com meu hóspede, o sr. Antônio Alves, que não descansou enquanto não se despediu de mim e não me viu de viagem a caminho da Bahia."
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Fonte: RIO SÃO FRANCISCO E A CHAPADA DIAMANTINA, Teodoro Sampaio; organização José Carlos Barreto de Santana - São Paulo, Ed. Companhia das letras, 2002.
"De regresso da cachoeira de Pirapora até onde nos levara o exame da navegação do rio S. Francisco, chegamos à Carinhanha a 22 de dezembro de 1879, onde devia eu apartar-me da comissão, cumprindo ordem do meu ilustre chefe,Milnor Roberts, para dali fazer a travessia dos sertões baianos, estendendo o quanto possível o meu trajeto pela Chapada Diamantina, cujos caracteres geográficos muito desejávamos conhecer.
Feitas as despedidas, saltei para terra no meio do muito povo reunido no alto da barca e vi bem depressa desaparecer na primeira curva do rio o penacho de fumo do vapor Presidente Dantas, assinalado por entre as árvores marginais a carreira que levava o velho barco navegando águas abaixo.
Fiquei só no meio daquela gente anarquizada e não pensei no perigo que daí pudesse advir. E, contudo, o perigo era bem de recear, como depois verifiquei.
A Carinhanha estava de fato em poder dos assaltantes da Januária, que para aí se recolheram, depois de sua vitória tão fácil quão escandalosa. Reinava na vila um terror pânico. Quem tinha o que perder, entrincheirava-se em casa depois de retirar a família às ocultas para algum sítio distante.
As autoridades sumiram-se, e os criminosos e assassinos dominavam.
O Capitão Francisco de Magalhães, com sua gente armada e com os despojos de sua recente campanha, estava aqui acampado enquanto o seu aliado, Manoel Tavares de Sá, por alcunha o Neco, preferira ficar com suas forças na outra margem, na povoação da Malhada, que avistávamos rio acima.
Coisa curiosa. Toda essa gente, formada em alas numa e noutra margem, recebeu-nos com foguetes e aclamação ao chegarmos. Indagando do motivo, informaram nos que tinham apreciado muito a nossa correção no teatro da luta, cumprindo com a palavra dada de não intervir por nenhuma das parcialidades.
Apesar disso, não me achei seguro no meio daquela gente desenfreada. Não me sentia intimidado, mas envergonhado; e, pois, procurei apressar a minha partida, dando os passos para a compra dos animais e para contratar um camarada, o que, no entanto, não era fácil no meio que reinava.
Ajudava-me diligentemente o meu hóspede, o sr. Antônio Joaquim Alves, e o bom vigário, padre João Raulino Bacellar, fazia o possível para me ver de viagem, fugindo àquela vergonha que ele, por sua vez, não queria suportar por mais tempo. Desejava retirar-se no dia seguinte, indo celebrar missa no povoado do Espírito Santo, cerca de cinco léguas rio abaixo.
À noite, a desordem atingiu o seu auge. Gritos, tiros, correrias traziam a vila em sobressalto. Defronte a casa onde me hospedei veio alta noite descarregar o seu bacamarte um valentão, dizendo aos outros em ar de mofa que aquilo era para experimentar o engenheiro que ele sabia estar ali dormindo àquela hora.
No dia 25, lá pelas quatro horas da tarde, atravessei o rio para a outra margem; embarcando-me numa canoa com meu hóspede, o sr. Antônio Alves, que não descansou enquanto não se despediu de mim e não me viu de viagem a caminho da Bahia."
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Fonte: RIO SÃO FRANCISCO E A CHAPADA DIAMANTINA, Teodoro Sampaio; organização José Carlos Barreto de Santana - São Paulo, Ed. Companhia das letras, 2002.
21 de outubro de 2009
Idos de 1928
A guerra dos dois Joões.
Era uma vez dois Joões, que quase provocam uma guerra entre a Bahia e Minas. Em 1928, nas barrancas do São Francisco, um João, depois de dois mandatos de prefeito (intendente) de Carinhanha, na Bahia, fronteira com Minas, saiu ilegalmente candidato a um terceiro mandato e, como era o presidente da Junta Eleitoral, "desavergonhadamente confirmou sua vitória". O adversario também era um João, correligionário do governador da Bahia, Vital Soares, que fez o Senado estadual reconhecê-lo vitorioso. E começou a pancadaria. O primeiro João foi buscar apoio em Minas, com o governador Antonio Carlos, adversário político do governador da Bahia. Os aliados do segundo João na Bahia e seus parentes no norte de Minas (sobretudo de Bocaiúva, terra de José Maria Alkmin, o ministro de JK) correram em socorro dele e entraram furiosamente na briga. E foi assim que dois João, o coronel João Duque, avô do ex-deputado do Paraná Helio Duque, e o coronel João Alkmin, avô do governador de São Paulo Geraldo Alckmin (com c), quase mudaram o rumo da Revolução de 30. Alckmin Essa história está toda pesquisada, documentada, contada, em um magnífico livro, "Coronelismo e oligarquias, 1889 a 1943", do historiador norte-americano (apesar do nome) Eul Soo Pang, professor da University Vanderbildt, editado nos Estados Unidos e, em 1979, no Brasil, pela Civilização Brasileira (agora da Record) do saudoso Enio Silveira. Dias atrás, Geraldo Alckmin disse em Recife (e era verdade, o que é importante, hoje, no Brasil de Lula e do PT, que virou o Brasil da mentira): "Quero deixar claro o seguinte: a minha origem é nordestina. Quando minha família veio da Espanha, de Portugal, ela veio para a Bahia, para Carinhanha, lá nas barrancas do rio São Francisco. Nasci em São Paulo, mas minhas raízes são nordestinas. Eu sou baiano". (Muito prazer, conterrâneo!). O coronel João Alkmin, protegido de Vital Soares, governador da Bahia e vice do paulista Julio Prestes, acabou derrotado em 30 pelo coronel João Duque, apadrinhado pelos vitoriosos Antonio Carlos e Osvaldo Aranha. E foi embora de Carinhanha para São Paulo, no Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba, onde o neto Geraldo nasceu, prefeitou e virou governador. Se o neto do segundo João for presidente da República, agradeça ao primeiro João, que obrigou o avô a trocar de rio: o São Francisco pelo Paraíba. E não decepcione o neto do primeiro João, nosso amigo, o baiano Helio Duque. Antonio Carlos Não eram amenos aqueles tempos dos coronéis João de Carinhanha: 1 - "Antonio Carlos estava envolvido na luta interna de poder do PRM (Partido Republicano Mineiro) quanto à escolha de seu sucessor, e desejava liquidar Alkmin, conhecido adepto da facção paulista do PRM, liderada pelo vice-governador de Minas Alfredo Sá e por Carvalho Brito, partidarios de Washington Luís e da candidatura de Julio Prestes" (contra Getulio Vargas). 2 - "A Comissão Executiva do PRM deixou de indicar Bias Fortes, escolhido por Antonio Carlos, e ofereceu o cargo a Venceslau Brás e Artur Bernardes (ex-presidentes). Finalmente foi indicado um candidato de conciliação, Olegário Maciel, de 74 anos, e o vice Pedro Marques de Almeida, adepto do governador. Achava-se que Olegário não terminaria o mandato". (Não terminou. Em 33, apareceu morto na banheira do Palácio da Liberdade.) João Duque 3 - "Os principais coronéis baianos do São Francisco estavam envolvidos na luta Duque-Alkmin. Franklin Lins de Albuquerque, de Pilão Arcado (pai dos deputados Teodulo e Wilson Lins Albuquerque), e Chico Leobas, de Remanso, imediatamente tomaram o lado de Duque". 4 - "Outros enviaram seus exércitos pessoais para ajudar Duque. Washington Luis resolveu indiciar Duque, Franklin, Leobas e outros coronéis. A Força Pública de Minas rapidamente mandou retirar Duque da Bahia". 5 - "Os conflitos subseqüentes entre Duque com a Força Pública de Minas e Alkmin com a Força Pública da Bahia prepararam o caminho para uma ligação entre os coronéis anti-Vital Soares e os conspiradores de Minas. Lidando habilmente com os aliados de Duque, Antonio Carlos organizou uma série de encontros entre os diretórios do PRM e os coronéis baianos". João Alkmin 6 - "Em fevereiro de 30, Duque havia se tornado o principal recrutador de adeptos à Aliança Liberal no Vale. O PRM nomeou Franklin chefe do recrutamento no Médio Vale e escolheu Mario Brant, Odilon Braga e o tenente Djalma Dutra para principais organizadores da conspiração na Bahia". 7 - "Com Duque no sul e Franklin no norte, todo o Vale passou para o lado revolucionário bem antes de outubro de 30. A estratégia era enviar Franklin e seu exército para Salvador, a fim de tomar o governo do Estado, enquanto Duque desceria o rio para acabar com os focos de resistência". 8 - "Duque esteve na fronteira de Minas depois que a revolução explodiu. Com a rendição final das tropas federais em Minas, no dia 15, dois dias depois Duque e seus aliados mineiros estavam em Carinhanha. Após 10 horas de luta entre Duque e Alkmin, a cidade caiu nas mãos de Duque."
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Fonte: Blog Allan de Mello, Sexta-feira, 9 de Maio de 2008.
Era uma vez dois Joões, que quase provocam uma guerra entre a Bahia e Minas. Em 1928, nas barrancas do São Francisco, um João, depois de dois mandatos de prefeito (intendente) de Carinhanha, na Bahia, fronteira com Minas, saiu ilegalmente candidato a um terceiro mandato e, como era o presidente da Junta Eleitoral, "desavergonhadamente confirmou sua vitória". O adversario também era um João, correligionário do governador da Bahia, Vital Soares, que fez o Senado estadual reconhecê-lo vitorioso. E começou a pancadaria. O primeiro João foi buscar apoio em Minas, com o governador Antonio Carlos, adversário político do governador da Bahia. Os aliados do segundo João na Bahia e seus parentes no norte de Minas (sobretudo de Bocaiúva, terra de José Maria Alkmin, o ministro de JK) correram em socorro dele e entraram furiosamente na briga. E foi assim que dois João, o coronel João Duque, avô do ex-deputado do Paraná Helio Duque, e o coronel João Alkmin, avô do governador de São Paulo Geraldo Alckmin (com c), quase mudaram o rumo da Revolução de 30. Alckmin Essa história está toda pesquisada, documentada, contada, em um magnífico livro, "Coronelismo e oligarquias, 1889 a 1943", do historiador norte-americano (apesar do nome) Eul Soo Pang, professor da University Vanderbildt, editado nos Estados Unidos e, em 1979, no Brasil, pela Civilização Brasileira (agora da Record) do saudoso Enio Silveira. Dias atrás, Geraldo Alckmin disse em Recife (e era verdade, o que é importante, hoje, no Brasil de Lula e do PT, que virou o Brasil da mentira): "Quero deixar claro o seguinte: a minha origem é nordestina. Quando minha família veio da Espanha, de Portugal, ela veio para a Bahia, para Carinhanha, lá nas barrancas do rio São Francisco. Nasci em São Paulo, mas minhas raízes são nordestinas. Eu sou baiano". (Muito prazer, conterrâneo!). O coronel João Alkmin, protegido de Vital Soares, governador da Bahia e vice do paulista Julio Prestes, acabou derrotado em 30 pelo coronel João Duque, apadrinhado pelos vitoriosos Antonio Carlos e Osvaldo Aranha. E foi embora de Carinhanha para São Paulo, no Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba, onde o neto Geraldo nasceu, prefeitou e virou governador. Se o neto do segundo João for presidente da República, agradeça ao primeiro João, que obrigou o avô a trocar de rio: o São Francisco pelo Paraíba. E não decepcione o neto do primeiro João, nosso amigo, o baiano Helio Duque. Antonio Carlos Não eram amenos aqueles tempos dos coronéis João de Carinhanha: 1 - "Antonio Carlos estava envolvido na luta interna de poder do PRM (Partido Republicano Mineiro) quanto à escolha de seu sucessor, e desejava liquidar Alkmin, conhecido adepto da facção paulista do PRM, liderada pelo vice-governador de Minas Alfredo Sá e por Carvalho Brito, partidarios de Washington Luís e da candidatura de Julio Prestes" (contra Getulio Vargas). 2 - "A Comissão Executiva do PRM deixou de indicar Bias Fortes, escolhido por Antonio Carlos, e ofereceu o cargo a Venceslau Brás e Artur Bernardes (ex-presidentes). Finalmente foi indicado um candidato de conciliação, Olegário Maciel, de 74 anos, e o vice Pedro Marques de Almeida, adepto do governador. Achava-se que Olegário não terminaria o mandato". (Não terminou. Em 33, apareceu morto na banheira do Palácio da Liberdade.) João Duque 3 - "Os principais coronéis baianos do São Francisco estavam envolvidos na luta Duque-Alkmin. Franklin Lins de Albuquerque, de Pilão Arcado (pai dos deputados Teodulo e Wilson Lins Albuquerque), e Chico Leobas, de Remanso, imediatamente tomaram o lado de Duque". 4 - "Outros enviaram seus exércitos pessoais para ajudar Duque. Washington Luis resolveu indiciar Duque, Franklin, Leobas e outros coronéis. A Força Pública de Minas rapidamente mandou retirar Duque da Bahia". 5 - "Os conflitos subseqüentes entre Duque com a Força Pública de Minas e Alkmin com a Força Pública da Bahia prepararam o caminho para uma ligação entre os coronéis anti-Vital Soares e os conspiradores de Minas. Lidando habilmente com os aliados de Duque, Antonio Carlos organizou uma série de encontros entre os diretórios do PRM e os coronéis baianos". João Alkmin 6 - "Em fevereiro de 30, Duque havia se tornado o principal recrutador de adeptos à Aliança Liberal no Vale. O PRM nomeou Franklin chefe do recrutamento no Médio Vale e escolheu Mario Brant, Odilon Braga e o tenente Djalma Dutra para principais organizadores da conspiração na Bahia". 7 - "Com Duque no sul e Franklin no norte, todo o Vale passou para o lado revolucionário bem antes de outubro de 30. A estratégia era enviar Franklin e seu exército para Salvador, a fim de tomar o governo do Estado, enquanto Duque desceria o rio para acabar com os focos de resistência". 8 - "Duque esteve na fronteira de Minas depois que a revolução explodiu. Com a rendição final das tropas federais em Minas, no dia 15, dois dias depois Duque e seus aliados mineiros estavam em Carinhanha. Após 10 horas de luta entre Duque e Alkmin, a cidade caiu nas mãos de Duque."
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Fonte: Blog Allan de Mello, Sexta-feira, 9 de Maio de 2008.
17 de outubro de 2009
Curiosidade histórica
Província de Carinhanha, já pensou?
O arraial de Carinhanha foi indicado para ser a capital da nova Província a ser criada no Brasil Império, conforme o Parecer n. 10, de 26.08.1823, emitido pela COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO reunida à DE ESTATÍSTICA E DIPLOMÁTICA.
A fonte da informação é o livro, cujo título é Inventário analítico do Arquivo da Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil, de 1823, da Editora Câmara dos Deputados, Centro de Documentação e Informação, Coordenação de Publicações, 1987; publicado em sua página 285.
Aí está mais uma informação valiosa sobre a nossa cidade, de que tanto nos devemos orgulhar por sua história próspera e fecunda, construída por homens de fibra.
O arraial de Carinhanha foi indicado para ser a capital da nova Província a ser criada no Brasil Império, conforme o Parecer n. 10, de 26.08.1823, emitido pela COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO reunida à DE ESTATÍSTICA E DIPLOMÁTICA.
A fonte da informação é o livro, cujo título é Inventário analítico do Arquivo da Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil, de 1823, da Editora Câmara dos Deputados, Centro de Documentação e Informação, Coordenação de Publicações, 1987; publicado em sua página 285.
Aí está mais uma informação valiosa sobre a nossa cidade, de que tanto nos devemos orgulhar por sua história próspera e fecunda, construída por homens de fibra.
16 de outubro de 2009
Nostalgia
As mulheres nos deixaram saudades
"Quem não se lembra das contadeiras de histórias cantadas com melodias lindas por Sá Gertrudes e Dinha Bilu? Pois é, havia muitas contadeiras de histórias onde a garotada e gente grande iam à noite de lua clara, ouvir de Dinha Bilu e Sá Gertrudes contarem as lindas histórias de reis, princesas e rainhas, da onça e do cachorro, do sapo e o veado. A história de Zé do Vale, de Pedro Cem, do lobisomem, da mula sem cabeça, do compadre d'água e do bicho homem. História de reinos encantados, caçadores e vampiros.
A gente não tinha sono, pois as histórias eram fantásticas e muito nos empolgavam. A gente criava na mente as nossas próprias personagens dos contos e lugares com suas verdadeiras perspectivas. Ilusões e fantasias criavam-se em nossas mentes, onde acreditávamos como se fossem reais.
Além das contadeiras de histórias, haviam as cantoras folclóricas como D. Marta, Sá Ném, Sá Aniceta, Sá Priscila e D. Francelina. As quitandeiras dos doces de coco, do doce de buriti, das brevidades, do bolo de arroz e de milho, os biscoitos avoadores, buscoitos escaldados, pão de queijo, beiju de lenço, beiju de tapioca e jeiju de massa de mandioca. Eram as quitandeiras Sá Olíbia, Sá Joaninha Ramos, Sá Joaninha de Zequinha, Sá D. Gusmão, Sá Mariana, Sá Bernarda, Sá Patrícia, Júlia de Januário, Dinha Bilu, Raimunda de Isaias, D. Naninha. Que tempos idos! Tudo hoje é indústria, acabou-se o que era doce. Hoje a história nos conta o que existiu no passado."
____________________________________________________
SANTOS, Honorato Ribeiro dos - A biografia de Carinhanha, 3º Vol, 2000.
"Quem não se lembra das contadeiras de histórias cantadas com melodias lindas por Sá Gertrudes e Dinha Bilu? Pois é, havia muitas contadeiras de histórias onde a garotada e gente grande iam à noite de lua clara, ouvir de Dinha Bilu e Sá Gertrudes contarem as lindas histórias de reis, princesas e rainhas, da onça e do cachorro, do sapo e o veado. A história de Zé do Vale, de Pedro Cem, do lobisomem, da mula sem cabeça, do compadre d'água e do bicho homem. História de reinos encantados, caçadores e vampiros.
A gente não tinha sono, pois as histórias eram fantásticas e muito nos empolgavam. A gente criava na mente as nossas próprias personagens dos contos e lugares com suas verdadeiras perspectivas. Ilusões e fantasias criavam-se em nossas mentes, onde acreditávamos como se fossem reais.
Além das contadeiras de histórias, haviam as cantoras folclóricas como D. Marta, Sá Ném, Sá Aniceta, Sá Priscila e D. Francelina. As quitandeiras dos doces de coco, do doce de buriti, das brevidades, do bolo de arroz e de milho, os biscoitos avoadores, buscoitos escaldados, pão de queijo, beiju de lenço, beiju de tapioca e jeiju de massa de mandioca. Eram as quitandeiras Sá Olíbia, Sá Joaninha Ramos, Sá Joaninha de Zequinha, Sá D. Gusmão, Sá Mariana, Sá Bernarda, Sá Patrícia, Júlia de Januário, Dinha Bilu, Raimunda de Isaias, D. Naninha. Que tempos idos! Tudo hoje é indústria, acabou-se o que era doce. Hoje a história nos conta o que existiu no passado."
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SANTOS, Honorato Ribeiro dos - A biografia de Carinhanha, 3º Vol, 2000.
15 de outubro de 2009
Seu Atanásio conta...
Os barulhos
“Fui chamado também pra brigar ao lado de João Duque: Eu não sou doido, não sei de nada! Zuza, meu irmão, queria ir, mas Tiano Lacerda e João Gusmão não deixou. Zuza, nesse tempo, era vaqueiro de Tiano. João Duque que reclamou com ele: ‘Pode deixar! Esses barriga verde não sabe brigar, não adianta nada!.’ Tiano retrucou com João Duque: ‘Não João, não é isso não! Não vamos judiar de crianças! Esses meninos são crianças ainda! Padrinho tem que proteger afilhado, pro afilhado ser fiel ao padrinho. Não é assim que o nosso Padim Cícero ensinava? Não é assim que a gente faz com o Bom Jesus da Lapa? A gente fica devoto dele pra ele proteger a gente; se não ficar fiel à proteção dele, ele castiga, não é mesmo?’ Tiano era padrinho de Zuza, enquanto os meus padrinhos eram Arquimino e José Mamoneira. Nós era peão de João Gusmão, criados todos juntos; estava sempre passando pelo Vale do Cochá. Manga pra mim virou caminho de roça...”
“Mas uma vez tive de pegar na carabina. Isso foi lá no Riacho de Santana. Nós tava precisando de remédio; só lá que encontrava esse tal remédio. João Duque deu um bilhete pra levar pro farmacêutico. Cheguei e encontrei todo mundo entrincheirado em volta da cidade; até o farmacêutico! Ele me disse: ‘Como é que eu posso atender você? Tá perigoso, vai pipocar tiro a qualquer hora aqui e não posso deixar essa carabina do Licurgo!’ Eu então resolvi o caso: ‘Pode ir, eu fico de prontidão com essa carabina até ocê voltar. Eu não posso é voltar sem esse remédio” Ocê não vai negar um pedido do Coronel João Duque; ele também é de patente, você sabe disso.’ Ele foi e voltou, mas não precisou de trocar tiro. Devolvi a carabina e escapuli no meu cavalo alazão, saí logo daquela trinceira de gente doída!”
“Eu já tinha comprado a terra de Agostinho Fonseca, quando o Véio Leopoldino chegou para a Fazenda Placa – Boa Esperança -. Ele comprou as terras da família de Evangelista, aquele mesmo que saiu esguiritado. Um dia, apareceu urubu voando, sobrevoando, cheirando alguma carniça. Nós saiu fora só pra ver se era algum gado morto! Cheguei e fui espiando bem, mas meu cabelo arrepiou todo na cabeça. Uma coisa me deu medo, mas homem não pode ter medo; fingi coragem e empurrei o meu corpo pra perto: um defunto já fedendo, comigo pelos urubus, dentro do meu terreno, na lagoa do Pajeú! Pra trás eu corri sem medo, chamei Benedito Preto. Ele logo reconheceu: ‘É o corpo do Véio Leopoldino’ Já fazia dias! O corpo tinha sido arrastado pra dentro do meu terreno – lá estava a marca do mato amassado – foi jogado pra riba da cerca de espinha de pexe.
Raimundo, meu filho, tinha comprado uma corda de doze braças e trabalhava na fazenda de Leopoldino. Essa corda apareceu suja de sangue, pendurada no torno da parede da minha casa. A polícia chegou e foi logo falando:
- O assassino está por aqui mesmo! Por que essa corda suja de sangue, aí, pendurada no torno? O corpo estava dentro do seu terreno, o senhor e seus filhos vão ter que explicar!
- É sangue de bezerro! Garantiu Raimundo.
- Não é não, aparteou a polícia. É sangue de gente mesmo, já foi verificado!
- Mas o senhor não está vendo que ele foi amarrado com corda e arrastado pra dentro do meu quintal, jogando pro riba de minha cerca? Vocês não estão vendo o rastro do corpo no mato?
- É seu Atanásio, ocê e seu filho vão ficar guardados, na cadeia, até esclarecer essa morte. Raimundo então foi explicar:
- Seu Tenente, eu trabalho com o vaqueiro do Leopoldino, na fazenda; saí pra dar sal pro gado, mas o quarto estava trancado com chave; fui então, pra buscar a chave, na casa de Preto, em Caio Martins . Mas Preto não deixou, ele mesmo saiu e foi. Nessa enrola de vai pra lá e vem pra cá, ele trocou a minha corda, igualzinha a dele e do mesmo tamanho: doze braças! É a corda dele que apareceu suja de sangue.
Preto estava sempre orientando Raimundo pra falar coisas trocadas pra polícia. A mãe sempre recomendando: ‘Ocê só fala a verdade, meu filho! Quem fala a verdade não merece castigo!.’
Tenente Joaquim e a mulher montaram uma armadilha pra descobrir o assassino. Preto também já estava guardado, como suspeito. Eles foram a Caio Martins, na casa de Preto e jogaram sotaque pra mulher dele:
- Nós veio aqui buscar ocê, Maria, e seus filhos, porque Preto está preso e é ele mesmo que matou Leopoldino. Nós já descobriu.
A mulher indagou da polícia:
- Mas foi ele mesmo que confessou?
- Nós descobriu, emendou o Tenente.
- Bem que eu falei pra ele que não fizesse isso não!
- Então, quer dizer que foi ele mesmo? A senhora confirma tudo?!
- Foi ele mesmo, eu já disse tudo!
Isto aconteceu em 1962. A polícia judiou muito dele. Levou na Fazenda Algemado batendo, espancando e obrigando a mostrar onde estava os sapatos de Leopoldino. Eles só achou um pé de sapato, o outro ficou perdido; teve de mostrar também onde tinha escondido o dinheiro. Preto era um cabra mau de Vitória da Conquista; naquele sofrimento todo ainda falou pra polícia:
- A gente não bate em homem algemado não! É covardia! É feio homem apanhar! Pode que ocês não mata logo?
Ficou muito tempo preso em Carinhanha; teve até trabalhando forçado pra Prefeitura, vigiado pela polícia. Hoje, quem mata é que fica bem, quem morre é que perde a vida! Leopoldino tinha vindo de Salvador, a esposa não quis acompanhar, por isso arranjou outra mulher aqui; foi só pra chorar por ele... Mas essa história não ficou bem contada não. Leopoldino tinha inimigos na polícia de Carinhanha. Ele desfeiteou as autoridades na inauguração da ponte da Placa. Guardou leite pra distribuir pros políticos no dia da inauguração, mas não veio ninguém. Ficou esperando o dia inteiro debaixo de sol quente. Escreveu desaforos pros homens de Carinhanha nos mntes de areia: ‘Cachorros do Governo’ Depois derramou o leite todo em cima da ponte novinha para a inauguração. A gente desconfia que Preto tinha sido mandado. Mas ninguém protegeu Preto. A polícia fez foi judiar muito dele.”
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SOUZA, Pe. José Evangelista de – Do Rio Carinhanha à Serra do Ramalho, pg 39/40, 1985.
“Fui chamado também pra brigar ao lado de João Duque: Eu não sou doido, não sei de nada! Zuza, meu irmão, queria ir, mas Tiano Lacerda e João Gusmão não deixou. Zuza, nesse tempo, era vaqueiro de Tiano. João Duque que reclamou com ele: ‘Pode deixar! Esses barriga verde não sabe brigar, não adianta nada!.’ Tiano retrucou com João Duque: ‘Não João, não é isso não! Não vamos judiar de crianças! Esses meninos são crianças ainda! Padrinho tem que proteger afilhado, pro afilhado ser fiel ao padrinho. Não é assim que o nosso Padim Cícero ensinava? Não é assim que a gente faz com o Bom Jesus da Lapa? A gente fica devoto dele pra ele proteger a gente; se não ficar fiel à proteção dele, ele castiga, não é mesmo?’ Tiano era padrinho de Zuza, enquanto os meus padrinhos eram Arquimino e José Mamoneira. Nós era peão de João Gusmão, criados todos juntos; estava sempre passando pelo Vale do Cochá. Manga pra mim virou caminho de roça...”
“Mas uma vez tive de pegar na carabina. Isso foi lá no Riacho de Santana. Nós tava precisando de remédio; só lá que encontrava esse tal remédio. João Duque deu um bilhete pra levar pro farmacêutico. Cheguei e encontrei todo mundo entrincheirado em volta da cidade; até o farmacêutico! Ele me disse: ‘Como é que eu posso atender você? Tá perigoso, vai pipocar tiro a qualquer hora aqui e não posso deixar essa carabina do Licurgo!’ Eu então resolvi o caso: ‘Pode ir, eu fico de prontidão com essa carabina até ocê voltar. Eu não posso é voltar sem esse remédio” Ocê não vai negar um pedido do Coronel João Duque; ele também é de patente, você sabe disso.’ Ele foi e voltou, mas não precisou de trocar tiro. Devolvi a carabina e escapuli no meu cavalo alazão, saí logo daquela trinceira de gente doída!”
“Eu já tinha comprado a terra de Agostinho Fonseca, quando o Véio Leopoldino chegou para a Fazenda Placa – Boa Esperança -. Ele comprou as terras da família de Evangelista, aquele mesmo que saiu esguiritado. Um dia, apareceu urubu voando, sobrevoando, cheirando alguma carniça. Nós saiu fora só pra ver se era algum gado morto! Cheguei e fui espiando bem, mas meu cabelo arrepiou todo na cabeça. Uma coisa me deu medo, mas homem não pode ter medo; fingi coragem e empurrei o meu corpo pra perto: um defunto já fedendo, comigo pelos urubus, dentro do meu terreno, na lagoa do Pajeú! Pra trás eu corri sem medo, chamei Benedito Preto. Ele logo reconheceu: ‘É o corpo do Véio Leopoldino’ Já fazia dias! O corpo tinha sido arrastado pra dentro do meu terreno – lá estava a marca do mato amassado – foi jogado pra riba da cerca de espinha de pexe.
Raimundo, meu filho, tinha comprado uma corda de doze braças e trabalhava na fazenda de Leopoldino. Essa corda apareceu suja de sangue, pendurada no torno da parede da minha casa. A polícia chegou e foi logo falando:
- O assassino está por aqui mesmo! Por que essa corda suja de sangue, aí, pendurada no torno? O corpo estava dentro do seu terreno, o senhor e seus filhos vão ter que explicar!
- É sangue de bezerro! Garantiu Raimundo.
- Não é não, aparteou a polícia. É sangue de gente mesmo, já foi verificado!
- Mas o senhor não está vendo que ele foi amarrado com corda e arrastado pra dentro do meu quintal, jogando pro riba de minha cerca? Vocês não estão vendo o rastro do corpo no mato?
- É seu Atanásio, ocê e seu filho vão ficar guardados, na cadeia, até esclarecer essa morte. Raimundo então foi explicar:
- Seu Tenente, eu trabalho com o vaqueiro do Leopoldino, na fazenda; saí pra dar sal pro gado, mas o quarto estava trancado com chave; fui então, pra buscar a chave, na casa de Preto, em Caio Martins . Mas Preto não deixou, ele mesmo saiu e foi. Nessa enrola de vai pra lá e vem pra cá, ele trocou a minha corda, igualzinha a dele e do mesmo tamanho: doze braças! É a corda dele que apareceu suja de sangue.
Preto estava sempre orientando Raimundo pra falar coisas trocadas pra polícia. A mãe sempre recomendando: ‘Ocê só fala a verdade, meu filho! Quem fala a verdade não merece castigo!.’
Tenente Joaquim e a mulher montaram uma armadilha pra descobrir o assassino. Preto também já estava guardado, como suspeito. Eles foram a Caio Martins, na casa de Preto e jogaram sotaque pra mulher dele:
- Nós veio aqui buscar ocê, Maria, e seus filhos, porque Preto está preso e é ele mesmo que matou Leopoldino. Nós já descobriu.
A mulher indagou da polícia:
- Mas foi ele mesmo que confessou?
- Nós descobriu, emendou o Tenente.
- Bem que eu falei pra ele que não fizesse isso não!
- Então, quer dizer que foi ele mesmo? A senhora confirma tudo?!
- Foi ele mesmo, eu já disse tudo!
Isto aconteceu em 1962. A polícia judiou muito dele. Levou na Fazenda Algemado batendo, espancando e obrigando a mostrar onde estava os sapatos de Leopoldino. Eles só achou um pé de sapato, o outro ficou perdido; teve de mostrar também onde tinha escondido o dinheiro. Preto era um cabra mau de Vitória da Conquista; naquele sofrimento todo ainda falou pra polícia:
- A gente não bate em homem algemado não! É covardia! É feio homem apanhar! Pode que ocês não mata logo?
Ficou muito tempo preso em Carinhanha; teve até trabalhando forçado pra Prefeitura, vigiado pela polícia. Hoje, quem mata é que fica bem, quem morre é que perde a vida! Leopoldino tinha vindo de Salvador, a esposa não quis acompanhar, por isso arranjou outra mulher aqui; foi só pra chorar por ele... Mas essa história não ficou bem contada não. Leopoldino tinha inimigos na polícia de Carinhanha. Ele desfeiteou as autoridades na inauguração da ponte da Placa. Guardou leite pra distribuir pros políticos no dia da inauguração, mas não veio ninguém. Ficou esperando o dia inteiro debaixo de sol quente. Escreveu desaforos pros homens de Carinhanha nos mntes de areia: ‘Cachorros do Governo’ Depois derramou o leite todo em cima da ponte novinha para a inauguração. A gente desconfia que Preto tinha sido mandado. Mas ninguém protegeu Preto. A polícia fez foi judiar muito dele.”
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SOUZA, Pe. José Evangelista de – Do Rio Carinhanha à Serra do Ramalho, pg 39/40, 1985.
25 de agosto de 2009
Acróstico
ACRÓSTICO DO CENTENÁRIO DE CARINHANHA
Honorato Ribeiro dos Santos
Cem anos se passaram
Embrenhado do enredo,
Numa luta de coroneis
Teve violência e muito medo;
Era uma política de ódio;
No cenário que veio cedo;
Ávidos pelo poder lutavam
Reacionários dum trono feudo:
Imperiosos seus asseclas de galão
Optavam à bala o trono em janeiro.
Deles o progresso morreu
Em dezenove envadiram ligeiro.
Carinhanha inda dorme
Assim plácida sem acordar;
Rica com dois rios lindos
Indo pro Norte, indo pro mar.
Não há progresso, ainda sofre;
Haverá herói para lhe transformar?
A cultura e os costumes estão morrendo
Não há resgate ao imperismo do lugar;
Há somente promessa sujestivas e
A cidade vive de sonho a sonhar.
Acróstico de Honorato Ribeiro dos Santos, poeta e escritor.
Honorato Ribeiro dos Santos
Cem anos se passaram
Embrenhado do enredo,
Numa luta de coroneis
Teve violência e muito medo;
Era uma política de ódio;
No cenário que veio cedo;
Ávidos pelo poder lutavam
Reacionários dum trono feudo:
Imperiosos seus asseclas de galão
Optavam à bala o trono em janeiro.
Deles o progresso morreu
Em dezenove envadiram ligeiro.
Carinhanha inda dorme
Assim plácida sem acordar;
Rica com dois rios lindos
Indo pro Norte, indo pro mar.
Não há progresso, ainda sofre;
Haverá herói para lhe transformar?
A cultura e os costumes estão morrendo
Não há resgate ao imperismo do lugar;
Há somente promessa sujestivas e
A cidade vive de sonho a sonhar.
Acróstico de Honorato Ribeiro dos Santos, poeta e escritor.
18 de agosto de 2009
Embolotando angu exibe troféu da vitória
6 de julho de 2009
23 de fevereiro de 2009
2ª levada do angu
O bloco EMBOLOTANDO ANGU pelas ruas de Carinhanha, pelo segundo ano consecutivo. Vejam os melhores momentos.
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