16 de outubro de 2009

Nostalgia

As mulheres nos deixaram saudades

"Quem não se lembra das contadeiras de histórias cantadas com melodias lindas por Sá Gertrudes e Dinha Bilu? Pois é, havia muitas contadeiras de histórias onde a garotada e gente grande iam à noite de lua clara, ouvir de Dinha Bilu e Sá Gertrudes contarem as lindas histórias de reis, princesas e rainhas, da onça e do cachorro, do sapo e o veado. A história de Zé do Vale, de Pedro Cem, do lobisomem, da mula sem cabeça, do compadre d'água e do bicho homem. História de reinos encantados, caçadores e vampiros.
A gente não tinha sono, pois as histórias eram fantásticas e muito nos empolgavam. A gente criava na mente as nossas próprias personagens dos contos e lugares com suas verdadeiras perspectivas. Ilusões e fantasias criavam-se em nossas mentes, onde acreditávamos como se fossem reais.
Além das contadeiras de histórias, haviam as cantoras folclóricas como D. Marta, Sá Ném, Sá Aniceta, Sá Priscila e D. Francelina. As quitandeiras dos doces de coco, do doce de buriti, das brevidades, do bolo de arroz e de milho, os biscoitos avoadores, buscoitos escaldados, pão de queijo, beiju de lenço, beiju de tapioca e jeiju de massa de mandioca. Eram as quitandeiras Sá Olíbia, Sá Joaninha Ramos, Sá Joaninha de Zequinha, Sá D. Gusmão, Sá Mariana, Sá Bernarda, Sá Patrícia, Júlia de Januário, Dinha Bilu, Raimunda de Isaias, D. Naninha. Que tempos idos! Tudo hoje é indústria, acabou-se o que era doce. Hoje a história nos conta o que existiu no passado."
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SANTOS, Honorato Ribeiro dos - A biografia de Carinhanha, 3º Vol, 2000.

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