17 de agosto de 2012

Carinhanha, 1909

CARINHANHA - Comarca de primeira entrância, compreendendo os termos de Carinhanha, Monte Alto e Riacho de Sant'Anna. O município de Carinhanha compõe-se dos distritos da cidade de Carinhanha, São João dos Gerais, Malhada, Parateca e Côcos. Elevada à categoria de cidade pela Lei 762, de 17 de agosto de 1909. O clima é temperado, prestando-se para qualquer cultura os locais, quer na margem do rio de São Francisco, onde se acha colocada a cidade, quer no centro do município, para os lados dos arraiais de Côcos e Alegre, onde abunda toda sorte de legumes, por serem os terrenos fertilíssimos e por isso mesmo contaminados de brejos e côrregos permanentes.
A viação é fluvial e boa, no rio São Francisco, de Juazeiro a Pirapora, todo o seu curso. Possui população estimada em 14.000 habitantes e possui 716 eleitores.

Administração municipal
Intendente: Cor. Francisco Luiz da Cunha;
Secretário da Intendência: João de Gusmão;
Vice-presidente do Conselho: João de Castro;
Secretário do Conselho: Sebastião de Deus Dias

Conselheiros
Atílio José Pereira;
Augusto Joaquim Lopes de Sousa;
José Luiz da Cunha.

Secretários
1. João Plácido;
2. Victal da Costa Alkmim.

Procurador: Hermano Antônio Duque
Zelador da iluminação pública: José da Rocha Passos

Fiscais
Elpidio dos Santos Rocha (Parateca);
Evaristo de Deus Telles (Alegre);
Francisco Ribeiro da Silva (Côcos);
Izidro Pereira Passos (São João dos Gerais);
José Bispo dos Santos (Cidade);
Manoel dos Santos Pereira (Santa Cruz dos Malhados)

Porteiro: José Patrício de Sousa

Administração Judiciária
Ajudante do Procurador da República: José de Castro;
Promotor Público: Dr. Arthur da Silva Coutinho;
Adjunto do Promotor: Antônio da Silva Vianna;
Juiz de Direito: Dr. José Carlos da Cunha Sobrinho;

Juízes de paz
1. Henrique Correia da Silva;
2. Antônio Moreira de Castro;
3. Cynésio Evaristo Moreira.

Tabelião: Deraldo José das Neves
Escrivão de paz: Thomaz Bispo da Silva
Escrivão dos Feitos Cíveis e Criminais: Affonso Pereira de Castro
Escrivão do grande e pequeno juri: Eugênio Roiz Monte Alvão

Oficiais de justiça:
1. Manoel Pedro Pereira;
2. José Clemente Pereira Marinho.

Administração policial
Delegado de polícia: cap. Sebastião de Deus Dias;
Suplentes: 1. Trajano Correia de Lacerda; 2. Giminiano Coelho da Silva.
Sub-delegado: Francisco Marques dos Santos
Suplente: Manoel Irenio do Nascimento
Escrivão da delegacia e sub-delegacia: Mano José da Conceição

Instrução pública
Professores estaduais:
d. Alice Maria da Silva (Malhada);
João Ricardo do Nascimento (Carinhanha);
Olympio Neves (Alegre);

Professor municipal
Ramiro Assis Lopes de Sousa (Côcos);

Coletorias
Coletor Federal e Estadual: Antônio Porphirio de Andrade Filho
Escrivão: cap. Olivio de Lacerda Pinto

Guardas do fisco estadual
Fillipe de Cerqueira
Henrique Correia da Silva
Luis Alcebiades Marques
Manoel Alves Teixeira

Correio
Agentes
Altino de Abreu Lima (Alegre);
Angelo Coelho da Silva (Carinhanha);
Augusto Joaquim Lopes de Sousa (Côcos);

Estafetas
José Francisco Pereira;
Militão José Gonçalves.

Telegráfo
Telegrafista: Leopoldo Carneiro da Silva Ribeiro
Inspetor: Agrário Affonso de Queiroz

Religião
Vigário: Conego Júlio Barretto
Irmandade: Sagrado Coração de Jesus

Comércio
Fazendas e molhados
Antônio de Aguiar Lisboa;
maj. Antônio Prado;
Anizio Coelho;
Francisco José de Araujo;
cor. Francisco Luis da Cunha;
Francisco Marques dos Santos;
ten.-cor. Giminiano Marques dos Santos;
João Pacheco;
cor. João Pereira Costa;
José Normanha;
José Augusto de Oliveira & Irmãos;
cap. Possidonio Normanha;
Prisco Brandão & Irmãos;
ten. Victal da Costa Alkmim.

Quitandas
Alvaro Pinheiro de Azevedo;
Antônio Gomes da Rocha;
Antônio Pereira da Rocha;
Bazileu Archanjo da Silva;
Cynésio Evaristo da Moreira;
Elpidio José de Oliveira;
Firmino de Aguiar Lisboa;
Francisco de Cerqueira Brandão;
João de Aguiar Lisboa;
João Abadia Xavier da Costa;
João Fernandes de Castro;
Joaquim Fernandes de Sousa;
Joaquim Lopes Santiago;
Joaquim Soares de Senna;
José Martins de Abreu;
Roque Fernandes da Cunha;
Sebastião José das Neves;
Teburtino Pereira Falcão.

Profissões
Advogado: José de Castro;

Barbeiros
Antônio Costa
José Bispo da Silva

Carpinteiros
Benedicto Baptista de Cerqueira;
Izidoro José Barbosa;
João Pessoa;
Joaquim Bispo da Silva;
Joaquim Soares de Senna;
José Fernandes de Castro;
Manoel Creatura de Deus;
Manoel de Tal;
Thomaz Bispo da Silva;

Marceneiro: Cassiano de Aguiar Lisboa

Criadores
Atilio José Pereira;
Augusto José de Oliveira;
Bernardino Antônio Duque;
Camilo Alves de Lelles;
cor. Francisco Luis da Cunha;
Joanna Alves de Sousa;
João Corrêa Duque;
cor. José Ribeiro e Silva;
Silvestre José das Neves.

Capitalistas
Augusto José de Oliveira;
Bernardino Antônio Duque;
Camilo Alves de Lelles;
cor. Francisco Luis da Cunha;
Manoel Alves Normanha.

5 de agosto de 2012

Daniel Luz Rosa

MINISTERIO DA JUSTIÇA. Expediente de 11 de agosto de 1848. Aviso desta data ao presidente da Bahia, concedendo ao bacharel Daniel Luz Rosa, juiz municipal e de Orphãos dos termos de Carinhanha e Monte Alto, tres mezes de licença, com ordenado, em attenção ao estado de molestia em que se acha.
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Fonte: Correio Mercantil do Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1848.

31 de julho de 2012

Vigário

Sabia que em 28 de dezembro de 1876, o padre João Raulino Barcellar, vigário colado da Freguesia de São José de Carinhanha, teve seu pedido de pagamento dos guizamentos deferido pelo presidente da Província da Bahia?

Esse é o mesmo padre que em 25 de dezembro daquele mesmo ano recebeu o engenheiro baiano Teodoro Sampaio, aqui em Carinhanha, vindo no vapor presidente Dantas, organizando, inclusive a sua partida para a chapada Diamantina antes de rezar missa no lugar chamado Espírito Santo.


29 de julho de 2012

Nicandro Albino Lopes

No dia 27 próximo passado (27/07/1850), achando-se na Vila de Carinhanha, o facinoroso Nicandro Albino Lopes, principal agente do séquito do celerato fraticida Antonio Jose Guimaraes, autor das mortes e desordens da comarca de Urubú, fazia correr o boato, de que se no dia 9 ali se apresentasse para as eleições o vigário e deputado provincial Jose de Souza Lima, e o Dr. delegado Daniel Luiz Rosa, que seriam por ele mortos, em vista do que reunindo-se alguns amigos e parentes do referido magistrado e do vigário, com as autoridades do lugar, fizeram que no mesmo dia, o indicado facinoroso evacuasse a Vila. Tendo pois notícia o referido delegado do mencionado conflito, e prevendo os meios nos de segurança para os habitantes da Vila de Carinhanha, oficiou ao Juiz de Direito da Comarca, ao delegado do termo vizinho de Caetité, pedindo auxílio e requisitando a presença ali do capitão da 4ª Companhia do corpo policial, estabelecida na Vila de Caetité, etc. e deu outras providências concernentes a resistir a qualquer agressão. Efetivamente no dia 9, o dito facinoroso Nicandro, marchou sobre o colégio eleitoral, e os eleitores e autoridades em defesa de suas vidas, sairam a encontrá-lo, e travando-se o conflito, foi dele vitima o referido Nicandro que morreu, e mais três jagunços (peitos largos), fugindo o padre F. Pacheco, pertencente ao séquito de tais salteadores.
No dia 12 seguia para aquela Vila o Dr. delegado Daniel Luiz Rosa, acompanhado do vigário Lima, alguma força e dinheiro, não só para tomar conhecimento de tais ocorrências, senão também para prosseguir nas diligências de capturar os outros réus de morte, etc.
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Fonte: Diário do Rio de Janeiro, Ed. 8.472, Sexta-feira, 16 de agosto de 1950 
  

Correio Aereo Militar em Carinhanha

Foi inaugurada em março de 1933, a chamada rota do São Francisco, pelo Correio Aereo Militar, que escalava em Belo Horizonte, Pirapora, Januária, Carinhanha, Lapa, Chique-Chique, Remanso, Petrolina, Crato e Fortaleza.

26 de julho de 2012

Vale a pena saber

A Estação da Repartição Geral dos Telegráfos foi inaugurada, em Carinhanha, no dia 13 de março de 1897, de quarta classe, tendo como o seu primeiro encarregado o telegrafista Leopoldo Carneiro da Silva Ribeiro, sendo que já no ano de 1903, o município contava com uma população de 10.214 habitantes.
A Comarca era classificada como de primeira entrância, composta pelo Termo de Carinhanha e o de Bom Jesus da Lapa. O Dr. Juiz de Direito naquele ano de 1903 era o Dr. Paulo R. Teixeira.
O Governo Municipal, sob a égide da Constituição Estadual de 2 de julho de 1891, era composto de um Conselho Deliberativo; um Intendente, encarregado das funções executivas; e uma Assembléia Municipal.
Em 1905, a população ainda era de 14.000 habitantes, registando 514 eleitores. Na área judiciária, o Juiz de direito continuava sendo o Dr. Paulo R. Teixeira; contando com três suplentes do juiz substituto seccional: 1. Dr. Antônio Moreira de Castro; 2. Virgilio José de Oliveira; 3. Daniel Caetano de Souza; tendo como ajudante do procurador seccional, Geminiano Marques dos Santos.
Em 1907, as linhas de vapor partiam de Juazeiro nos dias 1 e 15 de cada mês com retorno ao porto com data prevista para os dias 7 e 23. O valor da passagem de primeira classe do porto de Juazeiro até o porto de Carinhanha custava 81$800, enquanto que o preço da passagem de segunda classe custava 45$900. Enquanto que se o passageiro fosse até o porto da Malhada, a passagem de primeira classe custava 82$000 e a de segunda classe custava 48$700. Nesses preços estavam incluídos a comida e o imposto.
Em 1907, o município ainda com os seus 14.000 habitantes e seus 514 eleitores, sendo composto além da Vila de Carinhanha, contava com os distritos de São João dos Gerais, Malhada, Parateca, e Côcos. A Comarca continuava de primeira entrância, continuava sendo Juiz de Direito o Dr. Paulo R. Teixeira; passando a ser seus suplentes: 1. Cap. Manoel Alves Noronha; 2. Pedro Pinto Lima; 3. Victal da Costa Alkmim; sendo suplentes do juiz seccional: 1. Dr. Antônio Moreira de Castro; 2. Virgílio José de Oliveira; 3. Daniel Caetano de Souza; sendo ajudante do procurador seccional: Geminiano Marques de Souza.
Em 1908, a Comarca de Carinhanha era a sede e contava além dela com os termos de Monte Alto e Riacho de Santana. Seu Juiz era o Bacharel Francisco José de Pinho, que também exercia a função de Preparador do Termo de Carinhanha. Seu Vigário, nesse ano, era o Pe. Manoel Hygino da Silveira. Nesse ano, o município participa da Exposição Nacional pelo vigésimo quinto grupo - barbantes, cordões e cordoalho -, ganhando a medalha de prata. Concorre também pelo vigésimo sexto grupo - rendas, bordados e aplicações em flor -, também ganhado medalha de prata. Concorre ainda pelo septuagésimo terceiro grupo - madeiras -, levando a medalha de prata, também. Participou pelo septuagésimo quarto grupo - plantas medicinais -, levando a medalha de ouro nessa modalidade. O Promotor era o bacharel Adelino de França Antunes. A décima seção telegráfica compunha de Minas do Rio de Contas a Carinhanha, em seis trechos, sendo as estações de Caetité, Monte Alto, Carinhanha e o Posto Telegráfico de Bela Flor, tendo como encarregado o feitor Agrário Queiroz e o encarregado da estação em Carinhanha era o telegrafista Leopoldo Carneiro da Silva Ribeiro.
Em 1910, a Comarca de Carinhanha tinha o bacharel José Carlos da Cunha Sobrinho, Juiz de Direito, em substituição ao anterior. Nesse ano de 1910, a Paróquia de Carinhanha era administrada pelo Vigário Conego Júlio Constantino da Costa Barreto, sendo que a Paróquia pertencia a Vigaria forânea de Caetité e o Vigário forâneo era o Pe. Luiz Pinto Bastos, residente em Caetité e proprietário de terras em Carinhanha.
Em 1914, o cargo de Juiz de Direito fica vago, enquanto o cargo de Promotor foi assumido pelo bach. Ermelino Esteves de Sant'Anna.
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Fonte: Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, de 1891 a 1940 

22 de junho de 2012

Lançado pela editora baraúna http://www.editorabarauna.com.br/coroneis-contos-folclore-e-lendas.html, este livro do nosso escritor conterrâneo Honorato Ribeiro mais uma vez nos surpreende com a beleza de suas histórias. Fala, como o próprio título expõe, dos Coronéis de outrora. Reunem contos e lendas locais que em sua pena ganham mais brilho, mais intensidade, mais cor. 

O livro pode ser adquirido diretamente na editora baraúna ao preço módico de R$ 23,90 ou com o próprio autor em Carinhanha.

Não deixe de conferir mais esse lançamento.

4 de maio de 2012

ÁGUAS BARRENTAS


O jornalista e poeta, Amélio Lisboa, nos presenteia com o lançamento do livro de poesias "Águas Barrentas", pela Editora Virtual Books, ISBN 978-85-7953-503-1, que traz em seu prefácio texto de minha lavra. Quem quiser adquirir o seu livro, basta entrar em contato com o autor através do seu e-mail: amelio_lisboa@yahoo.com.br.
Com a permissão do autor, transcrevo a seguir uma estrofe da poesia MORTE DE UM REI

(...)
Hoje, fraco, raso e maltratado
Com passos arenosos e ressecados
Muitos riachos e braços amputados
E cursos já cortados.
Pede com os olhos secos e anuviados
Chorando por seus cuidados
E já gritando desesperado: Meu Deus! Estou sendo
ASSASSINADO.

10 de abril de 2012

Carinhanha

O toponímico Carinhanha, corruptela/evolução de Carinhenha/Carunhanha, tem sido alvo de inúmeras interpretações ao longo da história. Vários são os historiadores que tentam dar sua versão etimológica do referido topônimo. Entre esses historiadores, destaque especial para o mais festejado Honorato Ribeiro dos Santos, que a meu sentir traduz o seu significado para uma áurea de lenda em torno da palavra, deixando-a mais bela, mais encantadora ainda quando diz que sua derivação vem de um peixe muito abundante na região denominado "Cari" aglutinando-se com "Nhanha", nome da índia mais bela da tribo Caiapó, correspondente a "cunhã poranga" das tribos da amazônia; que também é o nome de uma ave raríssima, hoje extinta, igualmente denominada de "Nhanha", por sua beleza. Já outros históriadores menos despreocupados traduzem o topônimo simplesmente para "loca de sapo", "sapo cururu", "ariranha" como temos visto na literatura, mesmo restrita, sobre seu significado.

De uma coisa todos concordamos, o rio dá nome a cidade e o nome do rio e da cidade, em todas as épocas foram os mesmos, embora o vocábulo tenha sofrido pequenas alterações na pronúncia. Também há de acrescentar que não existe dúvida sobre sua origem, qual seja: Tupi Guarani falada pelos índios Caiapós (Cayapó), primeiros habitantes desta terra quando aqui chegou o homem branco catequizador, nesse caso os Capuchinhos, por volta de 1654.
 
Com a digitalização de livros raros como o que tive acesso, a mais antiga dessas interpretações talvez, até aqui encontrada, seja essa lançada no livro "Glossaria Linguarum Brasiliensium: Glossarios e diversas lingoas e dialectos, que allao os indios no Imperio do Brazil", de Karl Friedrich Phillipp Von Martius, Erlangen 1863, lance uma luz definitiva nesta celeuma. O autor, neste livro, à fl. 495, textualmente diz:  
         
     "Carinhanha, Carinhenha (Minas, Rio, Villa) - Caryea corre, anhê bastante. Fluvius sal  rapidus."

Assim deixaremos para o imaginário popular as lendas em torno do referido topônimo. Que as locas de sapo, as ´Ariranha´, os peixes ´Cari´, a índia e a ave ´Nhanha´ só o embelezarão mais ainda, mas não é de todo a resposta para esta dúvida, como demonstramos qual seria a resposta correta com base em fonte segura.  Em outras palavras, o significado do topônimo Carinhanha é rio que corre rápido, rio de águas correntes, simplesmente.
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Fonte: Glossaria linguarum brasiliensium: Glossarios de diversas lingoas e dialectos, que allao os indios no Imperio do Brazil. De Karl Friedrich Philipp von Martius, pg 495, Erlangen 1863.

5 de abril de 2012

Uma escola de primeiras letras

Carinhenha. Villa da província da Bahia, na comarca do Rio de São Francisco. Foi esta povoação ao princípio uma aldea d´Indios Caiapós, aos quaes se aggrégarão alguns brancos, e edificárão uma igreja da invocação de São José, que teve o título de freguezia longo tempo depois, correndo o anno de 1813. Um decreto de 16 de junho de 1832 a doutou d´uma escola de primeiras lettras, e outro de 6 do mez seguinte lhe conferio o título e prerogativas de villa, assignalando-lhe por districto o seu proprio termo parochial por ser assás vasto. Está assentada esta villa na margem esquerda do rio de São Francisco, junto á embocadura do rio de que tem o mesmo nome, 30 legoas pouco mais ou menos ao norte da villa do Salgado. Avalião-se os habitantes de seu districto em 2,000.
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Fonte: Diccionario geographico, historico e descriptivo do Imperio do Brazil, vol. I. pg. 246, Pariz, 1845.

12 de março de 2012

EDITAL DE CRIAÇÃO DA FREGUESIA DE CARINHANHA

EDITAL DE CRIAÇÃO DA FREGUESIA DE CARINHANHA PELO PADRE HEITOR ARAUJO

INTRODUÇÃO

O único documento inscrito em livros do Arquivo de Salvador, livro que deve ser entregue à Diocese de Barra, é o Edital de Criação da Freguesia de São José de CARINHANHA, pelo menos de meu conhecimento até agora, do Século XVIII para o XIX, Eí-lo:

Edital de creação desta Freguezia de Carinhanha

Francisco José Corra. de Albuquerq. Presbítero Secular, Vigário Parochial e da Vara da Freguezia de N. Sra. do O´do Porto da Folha Visitador Geral da Repartição da Manga e nella Provizor, Vigário Geral, Juiz de Despenças, Delegado do Sto. Chrisma, com jurisdição Ord. delegado pelo Exmo. e Revmo. Sr. D. José Joaqm. da Cunha Azeredo Cout.º, Bispo de Pernambuco, de 1ça. de S. Mage. Fidelíssima q. Ds. gd.

A todas as pessoas Ecclesiásticas e Seculares, que o preste. edital virem, saude e paz em Jesus Christo. Faço saber q. a Rainha Nossa Sra. toda cheia de piedade e religião, houve por bem em attenção ao bem espiritual dos seus vassalos, principame. dos habitantes da Frega. de Paracatu, determina em sua carta Regya dirigida ao Exmo. e Revmo. Sr. Bispo de Pernambuco, o sege.: D. Maria por graça de Ds. Rainha de Portugal, dos Algarves da Quem e da Lem mar em Africa, Senhora da Guiné - Faço saber ao Revo. Bispo de Pernambuco que é o Bispo de Olinda - vosso antecessor em carta de 31 de Julho do anno de 1768 de que com esta se vos remette cópia informando-me sobre huns capítulos dados por Anto. Gomes Dinis, e outros contra o Vigario da Freguezia da Manga, S. Rumão e Paracatu´ Antonio Mendes S. Thiago me fez preze. igualme. a provisão q. reconhecia de se dividir a dita Frega. em diversos Curatos ao que só se lhe obstava ser aquelle Benefício collado e perpetuo que o Revdo. Vigo. Proprietário a possuia inteirame. com todos os seus rendimentos e o mais que se referiu na dita Carta em que tão bem se faz menção das Provisões Regias, expedida ao mesmo fim dessa povoaçam apresentarem as precisas divisorias e sendo visto ouvido o Procurador da Ma. Conca. sou servida mandar vos dizer q. visto considerar o vosso Predecessor a provisão que havia na divisão da Frega. da Manga, ouvindo o actual Parocho procedais as divizões em Curatos amoviveis na conformidade, de minhas Reais Ordens, sem que embaracem ao Parocho Colado q. na forma do Concilio Tridentino, ainda que deva ser ouvido não importa a sua repugnancia porq. esta não prejudica aos interesses dos Fieys a bem da Fraga. e por isso ainda elle invicdo... deve porceder a divisão porser evidente que em tantas legoas de distancia não pode hum Parocho satisfazer as suas obrigaçoens, do que dareis conta ao meu Conco. Ultramarino. A Rainha Nossa Sra. mandou pelos concelheiros de seu Conco. Ultramarino abaixo assignados, de passar por duas vias. Anto. Pera. de Aranda e fez em Lisboa a 22 de abril de 1779. O Secretário Miguel Lopes Lavres a fez escrever. Luiz Diogo da Silva. Joze Carvalho de Andrade. Pr. dispos. do Conco. Ultramarino de 10 de Dezembro de 1778 prima. via.

Em virtude do tal decreto delegandome Sua Exa. Revma. O Sr. D. Jozé Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho, Bispo de Pernambuco e seus poderes dividi seus limites a Freguezia de Paracatu para de seus Residuos fazer Curatos e Freguezias sucessorias pa. o be. Espiritual dos Fieis e como o lugar da Carinhanha mto. tempo anexo ao Curato do Salgado he um lugar suficiente para hua nova Freguezia, attendendo aos justos requemtos. de seus habitantes que reprezentarão a extrema necessidade em que viviam do Pasto Espiritual por existirem longe de seu Cura. trinta, cincoenta e sessenta legoas; hei por bem crear em nova Freguezia todo o contine. que comprehende desde o Rio Carinhanha athé o Rio Corrente, pr. elle acima athé a Barra do Rio Formoso e por este acima tudo q. comprehende nella do Rio de S. Franco. athé os últimos habitantes denominados, Rio Carinhanha pela parte de baixo, o qual faz divisão com o Curato do Salgado em todo este continente nomeado acima devidido poderão os Reverdos. Vigarios Parochiais e da Vara pocessivame. houverem de serem postos na da Freguezia exercerem na suas respectivas jurisdiçoens: outro sim declaro por Matriz a Capella de S. Jozé erecta no Arraial e Padroeiro desta mma. Freguezia e mmo. Sato. e pa. administração dos Sacramtos. e funcçoens Parochiais terá Sacrario. Pia Baptismal, Livros. E pela authoridade de S. Ex. Rma. mando a todos os Freguezes desta Freguezia hajão e reconheçam por seu legitmo Parocho aquelle que lhe for posto pelo dito Senhor.

Item que obedeçam e guardem os estatutos e costumes legitimne. praticados athé o preze. tempo a respeito da satisfação dos direitos Parochiais na forma que obrigarão pelo termo que fizerão o qual se acha exarado no livro de creação deste Freguezia. E pa. que este venha a notícia de todos será publicado no primo. Domingo ou Dia Sto. e com certidão serã registrado no livro competente. Dado e passado nesta Freguezia de Carinhanha sob meu signal aos 6 de Agosto de 1806. Eu o Pe. Antonio Machado da Cunha, Secretario que o subscrevi.

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Fonte: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia - Ed. 77, ano 1952, pgs 335/336.

14 de janeiro de 2012

CEL. JOSE SANDOVAL DE FIGUEIREDO

Este blog presta uma homenagem justa a mais um filho ilustre e heróico de Carinhanha, que se vivo fosse, completaria hoje, 14 de janeiro de 2012, cento e trinta e dois anos, pois nasceu em 14 de janeiro de 1880. Assim, registrando aqui seus feitos, certamente, viverá em nossas memórias outros tantos anos afora. Transcrevemos aqui uma saudação escrita pelo Cel. Arrison de Figueiredo Ferraz, em 1958 e publicada na Revista do Arquivo Municipal de São Paulo.


CEL. JOSÉ SANDOVAL DE FIGUEIREDO (SOLDADO E HOMEM DE LETRAS)


CEL. ARRISON DE FIGUEIREDO FERRAZ

Ingressou José Sandoval de Figueiredo nas fileiras da Fôrça Pública de São Paulo a 17 de janeiro de 1899. Pela sua imaginação de jovem adolescente, perpassavam, sem dúvida, no momento da iniciação militar, naquela encruzilhada de seu destino, as mais fagueiras esperanças, sombreadas de quando em quando pela timidez natural do desconhecido, do mundo novo que ia enfrentar. Venceu facilmente esta última, na realidade da caserna, vendo, tratando, pelejando, como já ensinava o consagrado vale lusitano. Marchou com a segunda pelos anos afora. Sem o querer, teve-a constantemente a seu lado, apontando-lhe os sucessivos alvos a conquistar, multiplicando-lhe as fôrças e o alento para a escalada. 
Alistando no Corpo Policial do Interior, foi, inicialmente, um vanguardeiro da tranquilidade pública em todos os rincões da terra bandeirante. Percorreu a hinterlândia paulista de Norte a Sul, de Leste a Oeste, como fiador da ordem, com o famoso uniforme azul ferrete, símbolo de eficiência militar-policial e da mais absoluta confiança da nossa gente. Em agôsto de 1901, dissolvido o Corpo Policial do Interior, em virtude de reorganização da Fôrça Pública, é transferido para o 3º Batalhão. Nas fileiras dessa unidade, dedicou-se inteiramente aos estudos. Manuseiou, ininterruptamente os manuais militares; compulsou os regulamentos policiais; dedicou-se a indagações no campo das disciplinas intelectuais. Sua conduta, seu desenvolvimento técnico-profissional e mental chamaram a atenção dos seus superiores hierárquicos. Não tardou a receber o justo prêmio da sua dedicação. Por decreto de 10 de fevereiro de 1906 foi promovido a alferes, com classificação na mesma unidade onde servia.
O ingresso no oficialato propiciou um campo de ação maior ao alferes José Sandoval de Figueiredo. Os grandes predicados que permaneciam latentes na sua individualidade vigorosa, afloraram, potentes e robustos com a vegetação do Vale do Carinhanha que saudou os seus primeiros dias. Mas pouco permanceceu, integrando o quadro de oficiais da valorosa e disciplinada unidade das campanhas do Nordeste e dos altiplanos de Goiás. A 15 de março dêsse mesmo ano é transferido para o 1º Batalhão de Infantaria, naquela época a unidade de escol da Milicia Bandeirante.
Se hoje, quando recebemos a visita de uma personalidade ilustre, prestamos-lhe as nossas homenagens com a demonstração de cultura física na Escola de Educação Física, ou com uma demonstração de eficiência Policial Militar, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento, naqueles idos saudosos era o visitante atraído ao quartel da Luz, onde se extasiava ante as evoluções impecáveis, os movimentos ritimados da tropa manobreira e aguerrida. Foi para uma unidade dêsse quilate que a alta administração da Fôrça Pública requisitou os serviços do jovem alferes José Sandoval de Figueiredo.
Foi distinguido, logo após sua apresentação ao 1º Batalhão (maio de 1906), com a nomeação para o cargo de Secretário da Unidade. Essa comissão encerrava uma distinção e uma responsabilidade. Concebeu a primeira como decorrente natural de sua situação hierárquica. Recebeu-a sem lisonja e sem vaidade. Aceitou a segunda com tenacidade e espírito militar. Deu-lhe o melhor da sua inteligência, da sua dedicação, da sua operosidade. Daí a ter desempenhado, com brilho singular, a primeira e honrosa comissão que lhe foi atribuída.
Por decreto de 12 de maio de 1909, na Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça e Segurança Pública, foi promovido ao posto de Tenente o alferes da Fôrça Pública do Estado de São Paulo José Sandoval de Figueiredo. O recém-promovido foi classificado na mesma unidade a que servia, o 1º Batalhão de Infantaria.
Os trabalhadores da estiva de Santos sempre provocaram abalos prejudiciais ao organismo social da cidade. A comunidade portuária da cidade dos Andradas, já para defesa de legítimas reivindicações, já excitada por diltérias influências de agitadores sem fé e sem lei, tem recorrido a movimentos paredistas de graves consequências para a ordem social e para a economia da cidade e do Estado. Em setembro de 1909, paralizaram-se, momentaneamente, os trabalhos de carga e descarga no porto de Santos, em virtude de violenta parede dos portuários. O govêrno do Estado toma medidas imediatas, ordenando a mobilização de todos os elementos da Polícia Civil e da Fôrça Pública, sediadas naquela cidade e determina o seguimento de um contingente do 1º Batalhão, para conter os amotinados e manter a ordem a qualquer custo. O Tenente José Sandoval de Figueiredo integrou êsse núcleo de guardiões da ordem e da lei. Permaneceu cêrca de vinte dias de permanente vígília. Regressou a São Paulo quando a parede havia cessado e a cidade voltado à sua vida normal. Sua atuação nessa emergência foi brilhante e decisiva. Reconheceu-a o Secretário da Justiça e da Segurança Pública, determinando pelo Aviso 1529 fôsse o Tenente José Sandoval de Figueiredo "elogiado pelos serviços prestados em Santos, por ocasião da última greve."
A 10 de junho de 1909, foi nomeado ajudante de ordens do Presidente do Estado. Se essa função encerrava pela própria natureza alta dignidade, dignidade maior era a escolha para servir ao gabinete de um varão da estirpe de Albuquerque Lins, da notável linhagem dos estadistas que deram exepcional relêvo à administração pública de São Paulo. Desempenhou-a com lealdade, nobresa, inteligência e suma correção, segundo testemunho do próprio Presidente do Estado, até o dia 16 de maio de 1909, quando foi exonerado a pedido, em virtude de sua promoção a Capitão comandante da 3ª Companhia do 1º Batalhão. Deixou a unidade galardado com alta distinção, chamado a um cargo de singular relevância, no gabinete do primeiro magistrado bandeirante, voltava a ela aureolado por outra distinção soberana, a promoção ao posto de Capitão.
O marechal Hermes Rodrigues da Fonseca assume a presidência da República, a 15 de novembro de 1910, em substituição ao vice-presidente Nilo Peçanha que ocupara o cargo pelo falecimento do estadista mineiro Dr. Afonso Augusto Moreira Pena. Tão logo empunhou as rédeas do poder, viu-se o ilustre soldado a braços com a revoltade parte da Esquadra. Os sediciosos dominaram por alguns dias o porto e as águas da Baía de Guanabara. O Chefe da nação requisita o concurso do govêrno de São Paulo, determinando, como medida preliminar, a segurança do porto de Santos a fim de frustar qualquer tentativa de desembarque ali da marujada sediciosa.
O Chefe do executivo bandeirante ordena, imediatamente, o seguimento do 1º Batalhão da Fôrça Pública para aquela cidade litorânea, com a missão de barrar, a todo custo, o desembarque dos sublevados. A determinação governamental foi cumprida sem perda de tempo e a Unidade da Milícia Bandeirante só regressou da cidade de Braz Cubas quando a revolução havia terminado. O Capitão José Sandoval de Figueiredo, à testa da Companhia, tomou parte nessa operação, emprestando o seu decidido concurso na defesa da ordem legal e manutenção da autoridade constituída. A respeito de sua atuação nessa jornada, o Secretário da Justiça e da Segurança Pública do Estado de São Paulo mandou iserir na sua fé de ofício a seguinte alteração: "Seja elogiado o Capitão José Sandoval de Figueiredo pelo zêlo, disciplina, prontidão e cumpreensão do dever militar que pos à prova em Santos, na defesa do govêrno constituído, por ocasião da revolta de parte da Esquadra no porto do Rio de Janeiro".
No ano seguinte, precisamente a 16 de junho, recebe nova e delicada missão em Santos. Devia para seguir imediatamente, com sua Companhia, a fim de evitar novo pronuciamento grevista, cuja articulação chegara ao conhecimento do govêrno, pelos órgãos especializados. No mesmo dia embarcou e chegou ao seu destino. Sem perda de tempo, teve os necessários entendimentos com as autoridades civis e agregou ao seu comando o incipiente Corpo de Bombeiros local e um piquete de cavalaria da Fôrça Pública ali destacado. Mas os portuários, desta feita, não saíram a campo. Compreenderam, certamente, que com as providências postas em prática ser-lhes ia difícil o êxito da empreitada. Não encontrou, por isso, o Capitão José Sandoval de Figueiredo oportunidade para conter os inimigos da tranquilidade pública. Foi, no entanto, chamado a combater outro e implacável inimigo. Irrompeu na cidade, no dia 24 de julho, violento incêndio. Avisando, o ilustre Capitão da Milicia Bandeirante transporta-se ao local com todos os seus comandados - a sua companhia, núcleo de bombeiros santista e o pelotão de cavalaria - e entra em ação. Primeiramente, isola o edifício sinistrado para evitar a propagação da catástrofe; depois combate as labaredas com decisão e firmeza. Vence a batalha, com rapidez admirável, mostrando que era um oficial de infantaria. Os jornais de Santos e desta Capital tecem os mais ecomiásticos comentários à ação do Capitão Sandoval de Figueiredo e a seus bravos e improvisados heróis das chamas. As autoridades santistas representaram ao Gôrverno do Estado exaltando sua conduta exemplar e a de seus comandados. Mereceu, por isso, especial citação em boletim da Fôrça Pública que foi transcrita com o devido destaque em sua fé de ofício.
Mais de um lutro já havia decorrido da chegada da Missão Militar Francesa. A obra realizada pelo coronel Paul Balagny e seus companheiros produzia resultados extraordinários. Para consolidar os estudos técnicos, os instrutores gauleses convocaram os oficiais que melhor versavam seu idioma. O Capitão Sandoval de Figueiredo foi, a 30 de janeiro de 1914, um dos escolhidos para a equipe de tradutores, cabendo-lhe verter para o nosso idioma o regulamento de ginástica do Exército Francês. Deu desempenho cabal à missão recebida, pois conhecia bem a cantante e suave língua gaulesa, naquela época dominadora oficial do universo. De sua tradução, uma parte integrou a Escola do Soldado, regulamento notável ainda para os dias presentes, outra parte foi entregue à Escola de Educação Física e serviu de base ao curso de monitores de ginástica que funcionou por muitos anos.
A primeira Grande Guerra enxarcava de sangue os campos do Velho Mundo. Sentia-se que os Impérios Centrais estaam decididos a todos os sacrifícios. Resolve a Inglaterra, em maio de 1915, enviar ao Brasil uma embaixada especial para estreitar suas relações comerciais e amistosas com seu aliado em potencial da América Latina, constituída do embaixador Maurice Bunsem, General de Divisão Charles Barter e Almirante J. Ley. Os diplomatas britânicos estiveram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Aqui o govêrno do Estado organizou programa especial de homenagem aos ilustres hóspedes e designou o major José Sandoval de Figueiredo para servir às suas ordens. Essa honrosa delegação foi desempenhada com singular eficiência pelo antigo comandante da Escola de Oficiais.
Estávamos ainda em 1915. O Major José Sandoval de Figueiredo achava-se absorvido com as funções de secretário do Comando Geral. Era um homem a altura do cargo. Dignificava-o pelo saber e dedicação. Mas, o próprio Cel. Antônio Batista da Luz, que tinha em alta conta sua preciosa colaboração no Estado Maior e no posto de responsabilidade que o havia destinado, resolve nomeá-lo para outra e importante missão: o comando do Curso Especial Militar, para onde foi transferido a 4 de outrubro. Tratava-se da direção do Curso de Formação de Oficiais, escola básica para a constituição dos quadros, para a hierarquia e para a disciplina, e era necessário um oficial e professor. Daí a razão de sua escôlha, pelo brilhante Cel. Batista de Luz, para a importante missão.
Deixou, em novembro de 1916, o estado efetivo do 1º Batalhão. É que as conveniências do serviço público exigiam sua cooperação no 4º Batalhão. Transferido, apresenta-se sem perda de termpo ao novo corpo e assume o comando da quarta Companhia.
Exigia a lei 1244, de 27 de dezembro de 1910, um exame especial para acesso aos postos superiores. Em março de 1917, o Capitão José Sandoval de Figueiredo foi convocado com outros colegas para êsse exame. Uma quinzena depois, publicava a ordem do dia do Quartel General o resultado que era a sua aprovação com a média  7,80.
O desempenho brilhante do cargo de secretário do 1º Batalhão credenciara-o para função idêntica, em escalão bem maior. Por decreto de 14 de março de 1917, foi o Capitão José Sandoval de Figueiredo nomeado secretário do Comando Geral da Fôrça. Nos dias presentes, seira o Chefe da 1ª Seção do Estado Maior, ou mais tecnicamente, o E-1 da Fôrça Pública. Consequentemente, deixa o estado efetivo do 4º Batalhão com transferência para o Quartel General.
Por decreto de 14 de janeiro de 1918, publicado no Diário Oficial do dia seguinte, o Capitão José Sandoval de Figueiredo foi promovido ao posto de major, sendo classificado no Estado Maior da Fôrça. Era essa ascenção uma decorrente da lógica da sua classificação em concurso. Conquistara-o com altos méritos. Entrara, dêsse modo, no quadro de oficiais superiores em situação privilegiada.
Deixou, temporariamente, a 15 de fevereiro de 1919, o comando do Curso Especial Militar, por ter sido designado pelos seus superiores hierárquicos para oficial à disposição do almirante W. B. Caperton, comandante da Esquadra Americana do Atlântico Sul, que viera em visita a nosso Estado. O almirante ianque visitou o quartel da Luz, assistiu a evoluções e desfile da Fôrça Pública, cujo garbo e preparo militar enalteceu, esteve em várias cidades do interior, de modo a levar uma visão perfeita da nossa capital e da terra bandeirante. Como seu ajudante de ordens, o major Sandoval de Figueiredo acompanhou-o por tôda a parte. Ao fim de sua estada na terra bandeirante acompanhou-o até o navio Capitânea de sua esquadra. Só ali considerou encerrada a sua missão. No mês seguinte, com o Aviso n.º 100 - 3ª Secção - o Dr. Herculano de Freitas, Secretário da Justiça e Segurança Pública, em obediência aos desejos do Snr. Almirente Caperton, manifestados ao Presidente do Estado, recomendava ao Comandante Geral a publicação e transcrição na fé de ofício do major José Sandoval de Figueiredo da seguinte correspondência daquela alta patente naval da terra de George Washington:
"Tenho o prazer de manifestar o meu apreço pelos altos atributos do major José Sandoval de Figueiredo, oficial às minhas ordens, durante a minha permanência nêsse Estado. Sua personalidade, sua capacidade, seu descortínio, foram grandemente apreciados por mim e meu estado maior. Sugiro a transcrição desta na sua fé de ofício, como um tributo perene à excelência dos seus serviços. W. B. Coperton."
A 15 de outubro de 1920 o Presidente do Estado, em obediência aos desejos de S.M. Alberto I e do Snr. Epitácio da Silva Pessôa, Presidente da República, determinou fôsse elogiado o Major José Sandoval de Figueiredo, "pela maneira impecável com que participou das homenagens ao rei da Bélgica e ao chefe da nação brasileira, por ocasião da visita à Fôrça Pública."
A missão Francesa Instrutora da Fôrça Pública que havia deixado a nossa capital, em 1914, para lutar em defesa da pátria, voltava novamente aos seus misteres, junto ao govêrno paulista. Desembarcaria em Santos, a 2 de novembro, sob a chefia do general Antoine Nerel. A fim de recebê-la na cidade praiana e a acompanhar até esta Capital, foi nomeada pelo comandante Soares Nieva uma comissão integrada pelo major Sandoval de Figueiredo e divesos outros oficiais.
Em visita oficial ao Estado de São Paulo, aportaram em Santos, a 29 de novembro de 1920, os cruzadores Iwate e Asama, da marinha japonesa. Comandava-os o almirante Kajashoro Tunaskoshi. De Santos, o ilustre chefe naval nipônico, acompanhado dos oficiais da guarnição dos dois vasos de guerra, veio a nossa Capital. Visitou o quartel da Luz, o Instituto Butantã, o Jardim da Aclamação. Conheceu em Ribeirão Preto a Fazenda de café modêlo de Guatapará. Serviu como oficial às ordens do almirante Kajashoro Tunaskoshi por determinação do Presidente do Estado, o major José Sandoval de Figueiredo. Mais tarde essa comissão havia de trazer uma bela página à sua fé de ofício e à Fôrça Pública motivos da mais justa ufania.
A promoção ao posto de tenente coronel veiu ao encontro de seus inegáveis méritos, no dia 16 de janeiro de 1923. Foi classificado no Curso Especial Militar, onde já servia há vários anos. Uma reforma elaborada naquela unidade escolar permitiu que continuasse na direção dos seus destinos, o soldado de escol, o chefe experimentado e exato para tão delicada quão honrosa comissão.
Por sua atuação em acontecimentos que descrevemos em capítulo especial, foi o tenente coronel José Sandoval de Figueiredo promovido ao posto de Coronel, por decreto de 4 de novembro de 1924. Permaneceu, ainda, desta vez, como comandante do Curso Especial Militar. Sua ação à frente da unidade encarregada de formar mental, moral e técnicamente as sucessivas gerações de oficiais era de alta conveniência para a Fôrça Pública. Nossa Corporação sempre procurou homens à altura das responsabilidades. Escolher cargos para homens é próprio dos políticos mediocres, dêsses que de certo tempo a esta parte exploram as massas incautas, na mais criminosa e desenfreiada demagogia. Na Fôrça Pública, o clima é outro. Ascendia, assim, brilhantemente, o coronel José Sandoval de Figueiredo ao mais alto posto da carreira que abraçou.
De 26 de janeiro a 3 de fevereiro de 1925, serviu o coronel Sandoval de Figueiredo como oficial às ordens do general Pershing, do Exército Americano. O autor da célebre frase "Ei-nos aqui, Lafaiete" - ao desembarcar em Paris, visitava, em missão oficial ao Brasil, tendo o govêrno paulista designado o comandante do Curso Especial para seu ajudante de ordens, durante sua permanência em nosso Estado. 
As escolas da Fôrça Pública funcionavam no Curso Especial Militar, no Batalhão Escola e nas unidades. No primeiro os cursos de aperfeiçoamento de oficiais e formação de oficiais; no segundo, Escola de Recrutas e Escola de Cabos; e nas últimas as Escolas REgimentais, para habilitar graduados à promoção a sargento. A estas acrescentava-se a Escola de Educação Física, com cursos para instrutores e monitores de ginástica e esgrima. Todos êstes estabelecimentos de ensino militar tinham os seus regulamentos e os seus programas, uns e outros fundados na doutrina de guerra gaulesa. Ainda se achava em nosso meio, em plena atividade, a Missão Militar Francesa, que tão brilhante obra realizou na Milícia Bandeirante. Não havia improvisações nêsse setor tão delicado, como não havia também na própria instrução da tropa. Mas o coronel Pedro Dias de Campos, Comandante Geral, resolvendo dar à uniformidade do ensino existente a mesma diretriz, nomeou o coronel José Sandoval de Figueiredo supervisor de tôdas as Escolas da Fôrça (Boletim do Quartel General, de 3-8-1925). Dez anos mais tarde o General do Exército Milton de Freitas Almeida, no comando geral da Corporação - e que comando extraordinário! - criava a Diretoria Geral de Instrução com abribuições de supervisionar o ensino e a instrução na Fôrça Pública, comandada por um Diretor Geral de Instrução e servida por vários auxiliares de postos e graduações diversas. Não resta dúvida também, que o retrato do coronel José Sandoval de Figueiredo deverá encabeçar a galeria dos Diretores Gerais de Instrução, quando esta for organizada.
Pelas Leis 2314 e 2315 de 20 e 21 de dezembro de 1928, foram reorganizados o Curso Especial Militar e o Batalhão Escola da Fôrça Pública. Neste criava-se a Escola de Sargentos, com curso para êsse posto; naquele, o curso de Instrução Geral com programa idêntico ao ginasial para habilitar sargentos à matrícula na Escola de Oficiais. A unidade que passou a congregar os cursos de Instrução Geral (seria o pré-oficial ou pré-militar de nossos dias), a Escola de Oficiais substituiu o Curso Especial Militar e o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, êste estruturado em novas bases, tomou o nome de Curso de Instrução Militar. Não precisou o Comandante da Milícia Estadual meditar na escôlha do Chefe de uma unidade da importância do Curso de Instrução Militar. Indicou ao Presidente do Estado para esta relevante função o coronel José Sandoval de Figueiredo e sua proposta foi sancionada, por decreto de 2 de janeiro de 1929. 
A 2 de dezembro de 1930, deixou o comando do Curso de Instrução Militar, função que dignificou por mais de dois lustros. As autoridades revolucionários transferiram o coronel Sadoval de Figueiredo para o Estado Maior da Fôrça. Pouco tempo após essa transferência, permaneceu no serviço ativo. Em princípios de 1931, solicitava revorma após haver prestado mais de trinta anos de relevantes serviços à centenária Tropa de Piratininga e ao Estdo de São Paulo.


LEGALISTA, SEMPRE LEGALISTA.


Jurara, solenemente, pouco tempo depois de envergar a indumentária militar, manter a ordem pública a qualquer custo, defender a autoridade constituída, as instituições e a integridade da pátria, com o sacrifício da própria vida. Religiosamente, soube cumprir a palavra empenhada diante da Bandeira Nacional.
Quando João Cândido, em 1910, apodera-se do "São Paulo" e de outras unidades da Marinha e domina as águas da Guanabara, o Capitão Sandoval de Figueiredo parte para Santos em operações de guerra, à frente de sua Companhia, pronto para frustar qualquer ação dos rebeldes na cidade dos Andradas. Integrava o glorioso 1º Batalhão, hoje Batalhão Tobias Aguiar, nessa missão. Mereceu citação especial pelos serviços prestados conforme transcrição feita em outro local. Idêntica atitude de fidelidade à ordem e à lei, teve em julho de 1922, por ocasião da revolta da Escola Militar e do Forte de Copacabana, contra o govêrno do Snr. Epitácio Pessôa. Manteve-se de rigorosa prontidão, à frente de seus comandados, aguardando, somente, a ordem necessária para entrar em ação. Mereceu, por essa atitude, duas citações: do Presidente da República, "pelo modo com que se houve, por ocasião dos graves acontecimentos revolucionários dos mês de julho", do Comandante Geral "pela disciplina e prova de lealdade com que se conduziu e aos seus comandados, durante a rigorosa prontidão de 5 a 21 de julho, por ocasião da revolta contra os poderes constituídos".
Explode em São Paulo, na madrugada de 5 de julho de 1924, um movimento revolucionário de grandes proporções, sob a chevia do general Izidoro Dias Lopes. Corpos sublevados do Exército e da Fôrça Pública saem à rua, dominam o bairro da Luz, depois de duras e heróicas pelejas com as tropas fiéis ao Govêrno, e aí constituem base de operações. Inicialmente, os revolucionários levam nítida vantagem. O fator surpresa deu-lhes preciosos triunfos. Depois, os legalistas passam a se organizar, sob a supervisão do coronel Pedro Dias de Campos, escolhido pelo Presidente do Estado para Comandante Geral da Fôrça Pública do Estado e chefe das operações legais.
O então tenente coronel José Sandoval de Figueiredo foi um combatente da legalidade das primeiras horas. No mesmo dia 5 de julho apresentou-se às autoridades constituídas na Polícia Central. Momentos após a sua apresentação, recebeu e desempenhou difícil missão no Palácio dos Campos Elíseos. A 9, marchou à frente de um destacamento para Sacomã e Vila Shecker. A 10, foi-lhe confiado o comando do 3º Batalhão. Com essa unidade, tomou parte na contra-ofensiva legalista daquele dia, abrindo caminhos nas linhas inimigas até a colina do Ipiranga. Do Ipiranga, sempre combatendo, avançou até o Cambuci. Do Cambuci, marchou sôbre o centro da cidade e a 28 de junho entrou vitoriosamente no bairro da Luz, aquartelando-se com sua unidade no 1º Batalhão. A 31, foi dispensado do comando do Batalhão e assumiu a direção de sua unidade, o Curso Especial Militar. Recebeu vários elogios por sua atuação, entre os quais destacam-se:
-"O Presidente do Estado elogia o tenente coronel José Sandoval de Figueiredo pela bravura com que se tem mantido desde 5 do corrente, demonstrando valor, resistência e abnegação no sofrimento". (16-7-1924)
-"O Presidente do Estado e o Secretário da Justiça e Segurança Pública determinam seja elogiado o tenente coronel José Sandoval de Figueiredo, por ter na rebelião militar do mês passado, se conservado fiel ao govêrno, defendendo esta Capital, a constituição do Estado e da República, com inexcedível bravura, disciplina e patriotismo". (9-8-1924)
-"O Comandante Geral elogia o tenente coronel Sandoval de Figueiredo pelo sangue frio, calma e bravura com que conduziu o batalhão de seu comando, seja na ofensiva e ataque de 10 do corrente, na Colina do Ipiranga, seja no avanço de 15 e combates sucessivos, em tôdas as linhas ocupadas pela Fôrça Pública". (17-7-1924)
Em 1930, foi designado pelo general Hastínfilo de Moura, comandante da 2ª Região Militar, para chefiar a defesa do setor Chavantes-Cambará, na fronteira do nosso Estado com o Paraná. Ali manteve-se até o fim da revolução, disposto a vender caro qualquer polegada do solo paulista. Sem ter missão ofensiva, fez incursões ao território paranaense em poder dos rebeldes, a fim de prejudicar concentrações e retardar suas manobras. Enfrentou-os decididamente, no combate de Catiguá. A respeito dessa pugna memorável, escreveu êle próprio:
"O combate de Catiguá foi dos mais sérios que tiveram os rebeldes. Nele perdi apenas dois homens, mas os revolucionários tiveram baixas numerosas, pois os meus soldados combateram com o maior denodo e entusiasmo e eram comandados por oficiais de comprovado valor ."
Ecoou, a 9 de julho de 1932, por todo o território paulista, uma clarinada vibrante, conclamando bandeirantes e brasileiros para uma nova cruzada. Era a Revolução Constitucionalista que levava na sua bandeira o cristalino ideal de recolocar a terra brasileira sob o império da lei. Exército, Fôrça Pública e Povo, marcham para o campo da luta. José Sandoval de Figueiredo, embora afastado do serviço ativo, é dos primeiros a se apresentar. Parte para Botucatú, na Estrada de Ferro Sorocabana, assume o comando militar da praça, organiza a sua defesa e instala vários postos de alistamento. Engaja e instrue voluntários; faz seguir uns para a Capital e outrso para outras frentes. Inspeciona instalações e defesas. Transmite vibração e entusiasmo.
Terminada a revolução, voltou à quietude do lar. 
Não voltou cantando o hino da vitória, mas voltou com a paz na consciência de ter cumprido o seu dever. Portou-se, mais uma vez, como um grande soldado.


INSTRUTOR, PROFESSOR E HOMEM DE LETRAS


Todo militar, seja êle graduado ou oficial, é um educador. Cumpre-lhe, ao lado de outras e inúmeras tarefas, adestrar homens, provindos de todos os recantos e de diferentes categorias sociais, para o serviço da pátria, para a defesa da sociedade. Damos-lhe, quando investido dessa missão, a denominação de instrutor ou de professor. O instrutor é aquele que ensina o homem a manejar e utilizar as armas, a conhecer e aproveitar o terreno, a mover-se, a marchar diante do inimigo, a orientar-se, a observar-se, a informar os chefes, é o que adestra o físico, desenvolve as qualidades morais e aumenta o valor do próprio homem, disciplinando-lhe as atitudes, os gestos, dando-lhe o sentimento do coletivo, do trabalho em equipe para a grandeza da pátria. Tratando-se de uma Polícia Militar, como é o nosso caso, compete ao instrutor, além de todos aquêles ensinamentos, o de instruir o homem na maneira de prender o criminoso, de empregar todos os meios para evitar o débito, de embrenhar-se nas matas para capturar os foragidos da justiça e os malfeitores que agem na calada da noite e instalam seus covis longe das cidades, como observar, psicològicamente, a atitude das multidões para prevenir prejudiciais, com aumentar a sua autoridade pela  distribuição da justiça, como empregar energia, quando preciso, como ser cortez, educado, nas ocasiões necessárias. O professor militar é o que leciona as matérias indispensáveis à amplicação dos conhecimentos gerais, as matérias chamadas fundamentais, como matemática, física, química, psicologia, pedagogia, ética, moral, história, línguas, direito, criminologia, processualística e outras tantas, sem contar as necessárias aos Cursos de especialização, como o de educação física e comunicações.
O coronel Sandoval de Figueiredo foi as duas coisas. Foi instrutor na tropa e professor nas escolas. Foi membro de comissões examinadoras de disciplinas intelectuais e de matérias militares.
Sua fé de ofício registra essa incumbência recebida, a 25 de abril de 1919. Coube-lhe também e por várias vezes, integrar as bancas de exame dos oficiais candidatos à promoção. Em abril de 1925, com os coronéis Alexandre Gama e Eduardo Lejune, recebeu a missão de reorganizar o regulamento de metralhadoras e de elaborar um regulamento para ensino do fuzil metralhador, na Fôrça Pública, tendo por base a doutrina oficial do Exército Brasileiro. 
Foi professor de altos méritos o coronel José Sandoval de Figueiredo, lecionando, com brilho singular, na Escola de Oficiais, as cadeiras de Português e História da Civilização. Como catedrático de Português teve iniciativas originais. Rompeu a rotina, instituindo processos próprios. Está neste caso a competição intelectual que promoveu entre os alunos, sôbre os fatos e causas determinantes da independência do Brasil. Dêste modo, comemorou no Curso Especial Militar o 7 de Setembro de 1919. Mereceu citação especial pela iniciativa que alcançou notável êxito, quer do ponto de vista cívico, quer do ponto de vista literário.
Seus vastos conhecimentos, sua cultura, não se restringiram à técnica militar-policial e ao setor de pedagogia. Mergulharam fundo no campo da ciência e das letras, dando-lhe merecido renome. Manejando bem o vernáculo, foi um ficcionista e cultor das letras históricas de altos predicados. Nos domínios da ficção, produziu belos trabalhos que publicou em revistas e jornais do país. Guarda a Regista Militar dois belos contos - Ciúmes e Duas Tragédias - da pena brilhantedo coronel Sandoval de Figueiredo. No campo da história, escreveu "São Paulo e a Independência", obra que mereceu lisongeiras apreciações da crítica.
Foi um apaixonado da filologia, versando bem o francês e o inglês. Daquele, seus conhecimentos eram vastos, falando-o corretamente e melhor traduzindo. Verteu para o português alguns trabalhos e inúmeros regulamentos militares. Com os coronéis Pedro Dias de Campos, Júlico Cesar Alfiere e major Faustino da Silva Lima formou a equipe de tradutores que muito facilitou a obra da Missão Militar Francesa na Fôrça Pública.
Dedicou pacientes estudos à Língua e à Gramática portuguesa. Escreveu, nesse sentido, duas obras alentadas - "Vícios de Linguagem" e Concordância da Língua Portuguesa" - que lhe deram lugar de realce entre os glotólogos nacionais. Escreveu, ainda, em outra seara, "Regras de Etiqueta e Civilidade", trabalho que pode nivelar-se com o famoso D´ont dos ingleses. "Feitos e Frases e Ditos Célebres" foi o último e alentado trabalho que o ilustre compatriota de Castro Alves enviou aos prelos bandeirantes. Trata-se de uma obra de fôlego que veiu confirmar o justificado renome daquele soldado de escol como intelectual e homem de letras.
Lançou o tenente Mons. Paulo Aurisol Cavalheiro Freire, nosso grande capelão militar, a idéia da criação de uma Academia de Letras Militares, como sodalício dos intelectuais da Fôrça Pública. A semente caiu no solo dadivoso de Piratininga. Germinará. Teremos, então, na centenária e gloriosa Milícia o cenáculo dos adejos para o ideal, como queria Platão, o iluminado filósofo amigo das oliveiras e plátamos, pensativo dos bosques de Academo, o tipo histórico das modernas academias. José Sandoval de Figueiredo será sem dúvida, patrono de uma das cadeiras dêsse cenáculo militar. Por direito e justiça havemos de conferir-lhe tal dignidade. Figurará nesse pedestal, ao lado de Batista Cepelos, o poeta romântico da expedição de 1893, ao Paraná, para defender a legalidade, com Floriano Peixoto, ao lado de Eli Fernandes Câmara, o consagrado autor de "A Fôrça Pública de São Paulo", ao lado de Pedro Dias de Campos, autor de "O Espírito Militar Paulista", "A Revolta de 6 de Setembro", de "A Biblioteca do Escoteiro", de Mário de Azevedo, Cavalheiro Freire, José Nogueira Sampaio, Luiz Tenório de Brito, e outros tantos da numerosa falange de homens do pensamento da Milícia de Piratininga.


VÁRIAS VEZES CONDECORADO