17 de agosto de 2011

Moção de apluso

 Pronunciamento do Sr. Dep. Waldenor Pereira - PT/BA em 17/08/2011, na Câmara dos Deputados.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Município de Carinhanha foi ciado em 17 de agosto de 1909, por força do Decreto-Lei Estadual nº 762, tendo sido desmembrado do Município de Barra do Rio Grande.
Carinhanha encontra-se localizada às margens do Rio São Francisco, distante 900 quilômetros de Salvador, e possui uma população estimada em 28.380 habitantes, segundo o censo do IBGE de 2010. Sua economia está baseada na agropecuária, com vocação para a criação de bovinos e suínos. Seu principal festejo é o Encontro das Águas e dos Amigos, que é um evento oficial, instituído no calendário de festividades e comemorações do Município pela Lei Municipal nº 996, de 22 de maio de 2007. Esse grandioso evento, agora em sua quinta edição, vem firmando-se como o maior festival de arte e cultura popular em toda a região do médio São Francisco.
O Município de Carinhanha surgiu a partir dos confrontos entre os índios caiapós e o bandeirante Manuel Nunes Viana, vencedor dos paulistas na Guerra dos Emboabas, aproximadamente em 1712. Segundo a história local, o bandeirante atingiu a margem esquerda do Rio São Francisco e foi para o sul, atravessando o Rio Carinhanha, ou Carinhenha, onde encontrou o aldeamento caiapó, resultando numa luta sangrenta que finalizou com o fracasso dos índios. Vencedor da batalha, o bandeirante fixou base para suas conquistas onde posteriormente veio a ser o centro de intercâmbio entre a Bahia e o Estado de Minas Gerais.
Muitos queriam que o nome do local fosse Carunhanha, que significa loca de sapo; entretanto, a maioria atribui o topônimo indígena àgrande quantidade de aves de nome carunhenha existentes outrora no lugar. Em 1832, o julgado de São José de Carinhanha, pertencente à comarca do Rio São Francisco, foi elevado à categoria de vila.
Atualmente, em parceria, os Governos Estadual, Federal e Municipal vêm implementando políticas que contribuem para o desenvolvimento social e econômico do Município, tais como: a recuperação de 131 quilômetros daBA-161, que liga Carinhanha à BR-349; a construção da ponte sobre o Rio São Francisco que interliga as cidades de Carinhanha e Malhada; a instalação de unidade do PSF, que em Carinhanha tem a sua estratégia voltada para a prevenção das doenças, com campanhas, palestras e acompanhamento das famílias; o Programa TOPA, que vem contribuindo para a formação de parcela significativa dos profissionais que atuam na educação de Carinhanha; a aprovação pelo Comitê Gestor do Programa Luz Para Todos, do Governo Federal, de 11 comunidades para serem contempladas, beneficiando cerca de 1.360 pessoas.
Ainda está previsto pelo setor de engenharia da CODEVASF o Projeto Água Para Todos, que vai beneficiar 11 localidades com cinco sistemas de tratamento de água, captando a água do Rio São Francisco; depois de tratada, vai ser levada essa água, limpa e de qualidade, para várias localidades do Município. Está prevista também a inauguração do Centro de Inclusão Digital Quilombola do Distrito de Barra do Parateca, que é uma das comunidades mais antigas de Carinhanha.
Há também o Projeto Educando com a Horta Escolar, que é uma iniciativa da FAO, órgão das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação, e do FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, e foi concebido com a finalidade de intervir na cultura alimentar e nutricional dos escolares, com base no entendimento de que é possível promover a educação integral de crianças, adolescentes e jovens de escolas e comunidades do seu entorno por meio das hortas escolares, incorporando a alimentação nutritiva, saudável e ambientalmente sustentável como eixo gerador da prática pedagógica. Graças ao empenho da Prefeitura de Carinhanha e com o envolvimento das escolas e da comunidade, o Município tomou-se referência nacional desse projeto, o que já motiva outros Municípios a também abraçarem a causa da alimentação saudável e do meio ambiente ecologicamente sustentável.
Como Deputado Federal defensor dos interesses do Município, sinto-me orgulhoso de compor esse projeto político que foi capaz de dar dignidade ao povo de Carinhanha, melhorando sua qualidade de vida graças a tantos programas sociais implementados nestes anos de administração petista. Portanto, desejamos a toda população carinhanhense, em especial à sua Prefeita Chica do PT, a continuidade desse projeto, pautado numa administração participativa e democrática, que visa sobretudo a uma transformação social justa e igualitária.
Da mesma forma, deixo registrados nos Anais da Câmara dos Deputados nossos votos de congratulações e estima ao povo de Carinhanha.

____________________________
Fonte: Câmara dos Deputados - DETAQ /Discursos e notas taquigráficas/www.camara.gov.br

UM PASSEIO POR CARINHANHA DE 1956

CARINHANHA - BA

HISTÓRICO - Os habitantes primitivos desse território foram os índios caiapós, que tinham aldeia localizada nas terras onde hoje se encontra a cidade de Carinhanha. Viviam os nativos na mais completa harmonia quando, pelo ano de 1654, presumivelmente, nele prenetrou pela primeira vez o homem civilizado.
Segundo a tradição local, coube a primazia da fundação do território de Carinhanha, em 1709, ao famoso bandeirante Manuel Nunes Viana, vencedor implacável dos paulistas, na Gerra dos Emboabas, no Capão da Traição.
Esse famoso bandeirante, comandando uma das bandeiras organizadas pelos herdeiros do mestre-de-campo Antônio Guedes de Brito, partiu do litoral baiano, pelo ano de 1708, em busca do rio das Velhas, percorreu itinerário deveras interessante, pois sua bandeira passou pelo frigido Morro do Chapéu, na famosa Chapada Diamantina, somente atingindo a margem esquerda do rio São Francisco, um ano após a partida. Alcançando êsse objetivo, rumou em direção sul, vindo atravessar o referido rio perdo da confluência do mesmo com o rio Carinhanha ou Carunhenha, ali encontrando aldeamento de índios caiapós. Houve prolongada e encarniçada luta. Os caiapós, na ocasião, dominavam toda a vasta extensão da serra do Ramalho. 
Depois de vencida a resistência dos caiapós, Nunes Viana aí estabeleceu a base de operações, para suas grandes e históricas conquistas. Fixou-se definitivamente naquele território, que posteriormente veio a ser centro de intercâmbio entre a Bahia e o Estado de Minas Gerais. 
O local primeiramene devastado chamava-se Carunhenha. Essa denominação era controvertida, querendo alguns observadores que fosse "Carunhanha", isto é, "loca de sapo", nome dado ao rio, depois à Povoação; entretanto, a maioria atribui esse topônimo indígena à grande cópia de aves de nome carunhenha existentes no lugar em que aí estabeleceram os primeiros exploradores, aves esses raramente hoje encontradas nas margens das lagoas.
Data, pois, daquela época o povoamento de Carinhanha, e, conforme foi amplamente descrito, se deduz que a principal corrente do povoamento desse município foi de origem nacional, tendo como uma das causas determinantes a procura das minas de ouro do rio das Velhas.
Carinhanha tornou-se grande núcleo demográfico, possuindo dentre outras benfeitorias, a sua capela para desenvolvimento do Culto Católico Romano. No ano de 1813 logrou a categoria de frequesia, sob a invocação de São José de Carinhanha. 
Em 1832, foi o "julgado" de São José de Carinhanh, pertencente à comarca do rio São Francisco, elevado à categoria de vila, através do Decreto de 20 de abril daquele ano, somente sendo inaugurada a 22 de maio de 1834. O mesmo ato criou o município, com território desanexado do de Barra do Rio Grande.
A elevação da vila de Carinhanha à categoria de cidade deu-se por força da Lei estadual nº 762, de 17 de agosto de 1909, assinada pelo então governador Dr. João Ferreira de Araujo Pinho. 
Sua composição administrativa que, até 1931, era de distrito único, passou a figurar com seis, em virtude do Decreto nº 7.479, de 8 de junho do mesmo ano, que lhe incorporou o território do município de Rio Alegre. Manteve-se assim até que, em virtude do Decreto estadual nº 11.089, de 30 de novembro de 1938, perdeu o território do distrito de Alegre, que foi anexado ao município de Santa Maria da Vitória, voltando a figurar com os distritos de Carinhanha, Côcos, Iuiú, Malhada e Parateca. Atualmente apresenta a mesma constituição distrital.
LOCALIZAÇÃO - O município de Carinhanha localiza-se na Zona Fisiográfica do Médio São Francisco, estando o seu território parcialmente incluído no "polígono das secas". Limita-se com os municípios de Correntina, Santa Maria da Vitória, Bom Jesus da Lapa, Palma de Monte Alto, e os Estados de Goiás e Minas Gerais. As coordenadas geograficas da sede municipal são as seguintes: 14º 18' 22'' de latitute Sul e 43º 46' 02'' de logitude W. Gr. Rumo da Capital do Estado à sede municipal O.S.O., cuja distância, em linha reta, é de 561 km.
ALTITUDE - A altitude da sede municipal é de 452 metros.
ÁREA - Sua área é de 18.296 km2, sendo, portanto, um dos grandes municípios baianos, classificando-se no 5º lugar, em extensão territorial.
ACIDENTES GEOGRÁFICOS - O município é pouco acidentado. Como príncipais acidentes geográficos podemos mencionar os rios São Francisco, Carinhanha, Verde Grande. A ilha de Carinhanha, formada pelo rio São Francisco, situada entre a cidade e a vila de Malhada, constitui, também um acidente digno de nota. Várias lagoas importantes estão compreendidas no seu território, notadamente as de: Aguapé, Mucambo, Mucambo Grande, Sama, Pau Preto, Juazeiro e Grande.
CLIMA - O clima é o característico do médio São Francisco. Apresenta-se quente no verão e frio e úmido no inverno. Em 1955, a temperatura da sede municipal apresentou os seguintes dados: média das máximas - 38ºC; média das mínimas - 18ºC e média compensada - 22ºC.
RIQUEZAS NATURAIS - A flora do município, apesar das devastações pelas derrubadas constitui ainda grande riqueza natural, pois nela são encontradas madeiras de lei, a saber: vinhático, peroba, taipoca e outras; a maniçoba e a mangabeira, produtoras da borracha; o jatobá, o croá e outras plantas fibrosas. A fauna é rica em animais silvestres, notadamente o gato-do-mato, a onça-suçuarana e outros. O surubim, a curimatá, o pirá, a piranha, o pacu, a corvina, o dourado e outros peixes constituem também importante riqueza natural. O único mineral extraído é a pedra para construção. Entretanto, há no município jazidas de manganês, cristal, salitre e calcários, tôdas porém latentes.
POPULAÇÃO - A população, segundo dados fornecidos pelo Recenseamento de 1950, era de 23.516 habitantes, sendo 11.214 homens e 12.302 mulheres, predominando os de côr parda, que somavam 13.941 pessoas. Em ordem decrescente, as pessoas de côr branca, preta e amarela, somavam, respectivamente, 5.271, 4.284 e 1. Quanto ao estado civil, coube a primazia aos casados, cujo total foi de 6.965 contra 4.735 solteiros. A maior parte da população se localiza no quadro rural, cuja base percentual se elevava a 83,68%.
AGLOMERAÇÕES URBANAS - Segundo dados censitários, existiam em 1950 cinco aglomerações urbanas, com sua populações: cidade de Carinhanha - 1.707 hab., e vilas de Côcos - 986 hab., Iuiú - 435 hab., Malhada - 476 hab., e Parateca - 234 habitantes. A população da cidade de carinhanha, estimada para 1º de junho de 1957 é de: 2.100 habitantes.
OUTRAS AGLOMERAÇÕES - Além da cidade e das vilas, o município tem nove povoados com populações estimadas para 1957, a saber: Barra de Parateca - 191 hab., Tabuleiro - 282 hab., Ramalho - 711 hab., Sítio do Meio - 156 hab., Venda - 72 hab., e Morrinho - 168 habitantes.
ATIVIDADE ECONÔMICA - O Recenseamento de 1950 revelou que 39% das pessoas em idade ativa (10 anos e mais) estavam ocupadas no ramo "agricultura, pecuária e silvicultura".
O principal sustentáculo econômico do município é a agricultura, cuja produção em 1955, se elevou à crifra de 60.477 milhares de cruzeiros, nela sobressaindo o algodão seu principal produto, que concorreu assim com a maior parcela, ou seja, 19.200 milhares de cruzeiros, seguido de outras culturas: batata-doce, cana-de-açúcar, arroz com casca, mamona em baga, milho, feijão, etc.
Também a atividade pecuária é de grande expressão econômica, uma vez que, segundo dados estimativos, a população pecuária, em 1956, compreendia 100.000 cabeças de bovinos, 220.000 de equinos, 150.000 de assínios, 180.000 de muares, e totais inferiores a 50.000 nos rebanhos de suínos, ouvinos e caprinos. Os principais mercados importadores de gado, são: Itaberaba, Não Estado da Bahia e Montes Claros, no de Minas Gerais.
A produção industrial alcançou em 1955 o valor de 6.433 milhares de cruzeiros, cabendo a primazia ao algodão beneficiado, que concorreu com quase 5.000 milhares de cruzeiros. Os demais são produtos manufaturados, tais como: rapadura, farinha, aguardente, etc., cuja produção, individualmente considerada, é de pequena monta.
Por fim, salienta-se aqui a atividade artesanal, que é também desenvolvida, produzindo vários artigos, salientando-se, entre êles, os que são tecidos com fios de algodão: rêdes, toalhas e cortes de panos para roupas, tudo feito à maneira primitiva. Os artigos de cerâmica são também encontrados nas feiras, mormente moringas, potes, talhas e outros objetos.
MEIOS DE TRANSPORTE E COMUNICAÇÕES - Liga-se diretamente à Capital Federal por via aérea (1.039 quilômetros), à Capital Federal do Estado por via aérea (1.145 quilômentros), às cidades vizinhas, de Bom Jesus da Lapa por via aérea (106 km) e por via fluvial (73 mi); Correntina por estrada de rodagem (210 km); Palmas de Monte Alto por via mista fluvia (2 mi) e rodoviária (9 km); Santa Maria da Vitória por via aérea (115 km), por via fluvial (154 mi) e rodovia (198 km). O município é servido pela emprêsa Real Transportes Aéreos Nacional e pelas emprêsas fluviais Navegação Baiana do São Francisco, Navegação Mineira do São Francisco e Companhia Indústria e Viação de Pirapora. Possui três portos fluviais e um campo de pouso com pista de 1.160 por 65 metros.
COMÉRCIO E BANCOS - O município mantém transações comerciais e bancárias com as praças de Belo Horizonte, Pirapora, e Januária, no Estado de Minas Gerais, e Salvador e Juazeiro no Estado da Bahia. Existem 5 firmas comerciais atacadiastas e 40 varejistas. O giro comercial atingiu em 1956, 24.950 milhares de Cruzeiros. O salário-mínimo oficial decretado para a subzona da qual faz parte o município é de Cr$ 2.000,00.
ASPECTOS URBANOS - A cidade está situada em uma planície à margem esquerda do São Francisco, a 5 metros acima do nível do rio, sendo por isto uma das poucas cidades do São Francisco, que jamais poderá ser inundada. Apesar de pequena, é bem traçada e edificada. A praça principal é a da Matriz, onde estão localizados o ginásio e essa igreja. É calçada a paralelepípedos, ajardinada e dotada de bancos para o público. Conta com 31 logradouros, dos quais pavimentados: 2 a paralelepípedos, 4 a pedras irregulares e 2 arborizados ou ajardinados. Carinhanha é dotada de iluminação pública, cuja rêde elétrica se estende a 24 logradouros, sendo de 165 o número de ligações domiciliárias. Funciona um cinema e um cine-teatro. Na parte concernente à hospedagem, há um hotel e duas pensões com capacidade para 51 hóspedes; possui também uma agência do Departamento dos Correios e Telégrafos.
ASSISTÊNCIA MÉDICO-SANITÁRIA -É de 5 o número de estabelecimentos que prestam assistência médico-sanitária à população, compreendendo 2 postos de combate à malária, 1 pôsto sanitário, 1 pôsto de Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) e 1 pôsto de puericultura mantido pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância. Há 1 hospital regional ainda por inaugurar. Exercem a profissão na cidade 2 médicos, 1 dentista e 1 farmacéutico. Existem 3 farmácias. O município faz parte do setor nº 11, sediado em Juazeiro, do Departamento Nacional de Endemias Rurais.
ASSISTÊNCIA SOCIAL E COOPERATIVISMO - Em Carinhanha existe apenas uma sociedade de beneficência mutuária, que é a Liga Operária Beneficente de Carinhanha, cujo quadro social, em 31 de dezembro de 1956, era composto de 266 membros.
ALFABETIZAÇÃO - Segundo dados fornecidos pelo Recenseamento de 1950, a população de 5 anos e mais era de 19.545 habitantes, compreendendo 9.190 homens e 10.355 mulheres; sabiam ler e escrever 3.872 habitantes, sendo 2.322 homens e 1.550 mulheres, representando uma base percentual de 19,8% daquele total.
ENSINO - Em 1956, funcionavam 35 unidades escolares de ensino fundamental comum, compreendendo 24 municipais e 11 estaduais com a matrícula efetiva de cêrca de 1.187 alunos. O ensino extraprimário é ministrado na sede pôr um estabelecimento, que é o Ginásio São José.
OUTROS ASPECTOS CULTURAIS - Dignas de realce existem 2 bibliotecas, sendo 1 da Prefeitura Municipal, com acervo de 800 volumes, e 1 da Agência Municipal de Estatística, a Biblioteca Teixeira de Freitas, com 300 volumes.
CULTOS RELIGIOSOS - É o município sede da paróquia de São José de Carinhanha, fundada em 1808, e está sob a jurisdição do bispado de Barra. Existe, 1 igreja-matriz, 8 comuns, 3 capelas semipúblicas. Há 4 associações religiosas e 1 templo de culto não católico.
MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS, FOLCLÓRICAS E EFEMÉRIDADES -Várias manifestações de cunho religioso ocorrem no município; porém as que mais sobressaem são as festas consagradas a São José, padroeiro da cidade, e a do Divino Espiríto Santo. A primeira é ali comemorada, anualmente, a 19 de março, e tem duração de dez dias, começando pelo novenário e encerrando-se com a tradicional procissão. A segunda não se realiza todo ano; entrentanto quando a fazem, tem um programa deveras interessante; sua data é móvel e é festejada com procissão e grandes pompas, nela tomando parte várias personagens, que encarnam "imperador", "reis e rainhas", "alferes e mordomos", portando indumentárias típicas ou tradicionais. Também, as conhecidas "cavalhadas, simulando o combate de cristãos e mouros, e os chamados caboclos", são parte integrante dessas festividades que oferecem espectáculo interessante, pelo berrante de suas vestes e desenvoltura de suas coreografias. São três as procissões tradicionais realizadas em Carinhanha: a do seu padroeiro, São José, a do Divino Espírito Santo, ambas já descritas, e a "Procissão do Entêrro", esta realizada anualmente na noite de sexta-feira da Paixão.
Carinhanha tem, outrossim, o seu rito tradicional, que somente é observado por ocasião das sêcas prolongadas e se desenrola da seguinte maneira: reúnem-se mulheres e crianças em número nunca inferior a 30, e munidos de latas, baldes, e jarros vão ao rio, apanham água e vão despejá-la aos pés do "cruzeiro", entoando o bendito de São Rafael, cuja letra é a seguinte:

São Rafael, que morreu
Lá na serra,
Pedi a Nosso Senhor
Que nos dê chuva na terra. (Bis)
          Chuva, na terra,
          Por esmola...
          dai-nos pão,
          Que nos consola.

Molhado o cruzeiro, munem-se de garrafa ou litro de vidro branco cheio de água, põem-no à cabeça e vão a um local, situado a nunca menos de seis quilômetros, trocar um santo, com a condição essencial de ser devolvido somente depois das chuvas.
Por fim, há a festa popular mais característica do município: é a denominada "reisado". Na fase do ano, entre 1º e 6 de janeiro, é que se realizam as festas denominadas "rei do boi", "reisado de caixa" e "contradança". O primeiro é um conjunto de pessoas de ambos os sexos, que saem às ruas, dançando e entoando cânticos típicos ao som de caixa e instrumentos de corda; têm por motivo original a presença de uma armação de madeira e papel, em forma de boi, cujos movimentos lhe são dados por uma pessoa que saiba executar as danças tradicionais. O "reisado de caixa" é também um bloco de pessoas que, acompanhadas de viola e caixa, saem às ruas entoando cânticos e executando números de danças típicas. A exemplo dos dois primeiros, a "contradança" é formada também por pessoas de ambos os sexos, que vão às ruas ao som muito ritmado de instrumentos regionais, exibindo-se em números coreográficos interessantes, quer pela uniformidade dos movimentos, quer pela cadência das palmas batidas, e, sobretudo, pela colocação dos dançantes, que mudam de posição sem se entrechocarem, nem perderem o ritmo da toada.
SITUAÇÃO ADMINISTRATIVA E POLÍTICA - Conta o município 6.150 eleitores inscritos, tendo votado nas eleições de 1954, 3.255 eleitores. A Câmara de Vereadores é composta de 8 membros. Em 1956, exerciam atividades no município 72 funcionários públicos, assim distribuídos: federais 29, estaduais 24, municipais 17 e autárquicos 2.
FINANÇAS PÚBLICAS - As finanças públicas municipais, apresentaram no período de 1950 a 1956 os valores descritos no quadro abaixo: (O quadro será inserido posteriormente em forma de tabela)
JUSTIÇA - Pela Lei provincial nº 6, de 2 de maio de 1835, Carinhanha passou a termo da Comarca de Urubu (Urubu, antigo nome de  Rio Branco ou, atualmente, Paratinga).
A comarca de Carinhanha, composta pelos têrmos déste nome e pelo de Rio das Éguas, foi criada pela Resolução provincial nº 1.311, de 28 de maio de 1873, que extinguiu a de Monte Alto, criada pela Lei provincial nº 809, de 11 de junho de 1860, e consta do têrmo do mesmo nome e do de Carinhanha, desmembrado êste da comarca de Urubu.
Foi extinta pela Lei estatual de 3 de agôsto de 1892, que criou a divisão judiciária, passando a têrmo da comarca de Monte Alto, restaurada esta pela Lei provincial número 1.997, de 9 de julho de 1880.
Em 1898, através de Lei estadual nº 280, de 8 de setembro, foi a comarca de Carinhanha restaurada e constituída pelos têrmos de Carinhanha e Bom Jesus da Lapa. Êste último foi transferido para a de Urubu. Na divisão judiciária de 1904, Carinhanha ficou integrada pelo têrmo do mesmo nome e pelo de Monte Alto (comarca extinta pelo Decreto nº 266, de 4 de outubro de 1904).
A comarca de Monte Alto foi mais uma vez restaurada pela Lei estadual nº 1.119, de 21 de agôsto de 1915, e esta mesma Lei 1.119 extinguiu a comarca de Carinhanha que passou a têrmo da de Rio Branco (ex-Urubu), onde permaneceu até 1943, quando passou a têrmo da comarca de Bom Jesus da Lapa, criada naquele ano pelo Decreto-Lei nº 141, de 31 de dezembro, retificado pelo Decreto nº 12.978, de 1º de junho de 1944.
Por fim, pelo Decreto-Lei estadual nº 512, de 19 de junho de 1945, foi a comarca de Carinhanha mais uma vez restaurada e composta únicamente pelo têrmo do mesmo nome. Em seguida, pela nova divisão judiciária estabelecida pela Lei estadual nº 175, de 02 de julho de 1949, a comarca de Carinhanha, com sede e termo de mesmo nome, foi classificada como comarca de primeira entrância. Entretanto, como até o presente não se investiu nessa função jurídica, Carinhanha continua pertencendo de fato, ao têrmo de Bom Jesus da Lapa.
Conta 12 cartórios, sendo 5 do Registro Civil. O total de feitos julgados em 1956 foi de 18, todos correspondentes ao cível.
OUTROS ASPECTOS DO MUNICÍPIO - Os nascidos no município são denominados "carinhanhenses". A origem e significados do nome Carinhanha provém da língua indígena carunhanha, isté é: "loca de sapo" ou carunhenha, espécie de aves que abundavam na região em eras remotas.
O Prefeito em exercício é o Sr. Francisco Lacerda Pinto, e o presidente da Câmara é o Sr. José de Oliveira Lisboa.
_____________________________________
Fonte: Compilação da Inspetoria Regional de Estatística, por Jehovah de Andrade Campos. - Chefe da Agência Municipal de Estatística: Edmar Alves Pinto.