"(...) São dez minutos passados da meia-noite, isto é, dez minutos do dia 16 de julho de 1964, momento preciso em que, às luzes apagadas da Cidade, o navio atraca em pôrto firme.
Noite fria, de céu muito lindo, em terras baianas. O simpático e hospitaleiro casal Joaquim Borges de Araújo e sua bonita filha apresentam a sua Carinhanha à turma de Juiz de Fora acrescida de Beth e Paulinho. Também o piedoso sargento, de Belo Horizonte, nesta altura, não mais se desprega do grupo. A cidade é pequena, mas muito bonitinha e bem organizada. Ruas calçadas, com passeios modernos. Numa praça bem ajardinada está a igreja de São José, tôda pintada de nôvo. Mesmo a estas horas da manhã, o casal abre sua casa, em cuja sala, bem ampla, ao som de uma eletrola, o pessoal dança e se distrai. Descobrem os bons amigos um delicioso resfrêsco de abacaxi e outro de maracujá, que matam aquela sêde antiga de algo diferente, bom e substancioso.
A volta, pelas ruas escuras, foi uma algazarra sem fim. Brincadeiras interessantíssimas, inclusive a "centopéia", foram motivos de alegria e expansão da cordialidade fraterna com que se tem mantido o grupo. A hospitalidade do ilustre casal Joaquim Borges de Araujo, cuja fidalguia é tão cativante, foi a primeira impressão, unida ao encanto da cidade, do grande e brasileiro Estado da Bahia.
As duas e meia horas da madrugada, enfim, após tanta alegria, recolhe-se a turma no seio do "Barão de Cotegipe".
É possivelmente a noite mais interessante das que se tem passado desde o momento em que se enfrentou o grande "Rio da Unidade Nacional".
A estas horas é difícil um contato direto e persuasivo com a natureza baiana, com simplificado vem de ser o contato com a bonita e pequena Carinhanha, a qual, à meia-noite, já não mais ostenta sua luz elétrica porque esta é interrompida antes."
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BASTOS. Wilson de Lima, VIAGEM AO NORDESTE: Uma grande aventura, Pág. 80. Edições Paraíbanas, ano 1969.
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